(Alex Ribeiro, do Livre.jor, especial para o Contraponto) – Em nota de esclarecimento expedida na tarde esta quarta-feira (14), a Sanepar resolveu quebrar o silêncio e falar sobre sua participação na CS Bioenergia, em resposta às reportagens publicadas no Contraponto, em parceria com o Livre.jor, no início da semana (confira aqui e aqui também). A manifestação da empresa vem após um mês e meio do pedido de informação protocolado pela reportagem questionando a parceria da estatal em um projeto milionário com a Cattalini Bioenergia.

Assinam os esclarecimentos junto com a estatal o governo paranaense, a CS Bioenergia e a Cattalini. Longe de dar conta das perguntas enviadas via Lei de Acesso à Informação, a nota busca dar a posição da empresa pública sobre alguns aspectos destacados nas reportagens, como percentual de investimento da estatal no empreendimento e o processo de produção da energia a partir do lodo.

De acordo com a nota, a Sanepar afirma que o transporte de resíduos da Ceasa será realizado “por meio de contrato” e que a estatal “será remunerada para tal”. No entanto, conforme publicado no Contraponto, a Sanepar finalizou na semana passada licitação para o transporte dos resíduos do Ceasa com destino às instalações da CS Bioenergia. A empresa vencedora do pregão, publicado em nome da Sanepar, a Cavo, garantiu contrato de um ano, com estimativa de 500 viagens, ao custo de R$ 118 mil.

Ainda sobre os resíduos do Ceasa, a estatal afirma que a necessidade da matéria orgânica além do lodo tratado estava previsto desde o início das combinações com a Cattalini. A Sanepar alega ainda que, ao contrário do que foi questionado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), a medida não infringirá o termo firmado entre o órgão e o Ceasa, que garante destinação de resíduos orgânicos e não orgânicos para catadores de recicláveis.

Sobre a atividade da CS Bioenergia, a nota da Sanepar aponta que “ao contrário do que fora publicado, a produção de gás já é uma realidade”. No entanto, a reportagem não aponta a inatividade da usina, apenas ressalta que, com atraso de mais de dois anos das previsões iniciais de operação, ainda não houve venda da energia produzida.

Da participação acionária e de investimento, a Sanepar alega que é responsável por 40% dos “R$ 62 milhões noticiados”, e que os investimentos realizados na ETE Belém, mais de R$ 100 milhões segundo divulgação da estatal em seu próprio site, “já estavam planejados antes da implantação da CS Bionergia e seriam realizados de qualquer forma pela Sanepar”.

Apesar de defender o contrário, no final da matéria institucional a estatal alega que a unidade da CS Bioenergia será construída “ao lado da ETE Belém, a maior estação de tratamento de esgoto da Sanepar, instalada numa área de 15 mil m². A ETE está recebendo investimentos de R$ 102 milhões e deve fornecer, na primeira etapa, 110 toneladas de lodo de esgoto por dia”, ou seja, ampliar o volume de produção da principal matéria-prima para a CS Bioenergia.

Clique abaixo e confira a íntegra da resposta da Sanepar:

NOTA DE ESCLARECIMENTO 

O Contraponto e o Livre.jor aguardam ainda novo posicionamento da Sanepar sobre as perguntas enviadas via Lei de Acesso à Informação. Após negativa da estatal nas informações, o pedido de resposta foi enviado em forma recursal via Controladoria Geral do Estado (CGE).