O governo do Paraná investiu mais de R$ 62 milhões num projeto ambiental para gerar energia a partir do lodo e dos resíduos sólidos da Sanepar. Três anos depois, e sem vender ou aproveitar um megawatt sequer, descobriu-se que o lodo da Sanepar não é suficiente para produzir biogás. O Ministério Público do Trabalho questiona o projeto e o Tribunal de Contas sugere o fim da parceria entre a Sanepar e sua sócia no empreendimento, a empresa privada Cattalini Bioenergia, por irregularidades.

O maior e mais importante projeto dos 7 anos do governo Beto Richa na área ambiental teve início em maio de 2014, através de uma empresa com capital público e privado, a CS Bioenergia. Trata-se de uma parceria entre a Sanepar e a Cattalini Bioenergia, geradora de biogás, para transformar lodo e resíduos sólidos em energia elétrica. O objetivo era abastecer 2 mil residências.

Ao ser submetido, como é de praxe, ao Conselho de Administração da Sanepar, o projeto foi referendado pelos conselheiros, mas com a ressalva de que, do ponto de vista de rentabilidade, geraria apenas “ganhos marginais”.

O Ministério de Minas e Energia, através da Empresa de Pesquisa Energética, considerou que  o investimento informado pela CS Bioenergia situa-se “acima do limite superior da faixa de valores de investimentos de empreendimentos termelétricos a gás natural”.

Mesmo com essas advertências a CS Bioenergia foi fundada e instalada na Estação de Tratamento de Esgoto Belém (ETE-Belém), em São José dos Pinhais.

O resultado final da lambança torna o “empreendimento” do governo do Paraná algo parecido com uma Pasadena – a refinaria podre que a Petrobras comprou no Texas por preço absurdo e que pagou duas vezes por ter de indenizar o sócio europeu que espertamente quis sair do negócio.

A partir daí começaram a surgir os problemas, como você verá na lista quase interminável de problemas que o repórter Alexsandro Teixeira Ribeiro identificou em longo e bem documentado trabalho de investigação que realizou a pedido do Contraponto, em parceria com o Livre.jor.