“Esqueçam o que escrevi”, diz Feder

Num gesto parecido com o de Fernando Henrique Cardoso em 1994 quando, eleito presidente da República, pediu que esquecessem o que escreveu em seus livros de sociologia, o novo secretário da Educação do Paraná, o empresário Renato Feder (foto), afirmou nesta sexta-feira (11) que não pensa mais em aplicar as ideias contidas no livro “Carregando o Elefante – Como transformar o Brasil no país mais rico do mundo”, de sua autoria, escrito em 2007 e republicado em 2014.

Uma das propostas que defendia era a de “privatizar” o sistema educacional. O governo, em vez de manter sob sua administração custosas escolas, pagaria vouchers – uma espécie de bolsa educação – às famílias para que ela pudessem matricular seus filhos em escolas particulares. O Contraponto revelou a ideia de Feder em nota publicada em 9 de novembro passado, assim que Ratinho Jr. anunciou a escolha do nome dele para a secretaria da Educação do Paraná.

Renato Feder dizia no livro ter se inspirado em experiências semelhantes nos Estados Unidos e em outros países com os altos índices de qualidade de ensino. Agora pensa diferente: acha que a motivação dos professores para que melhorem suas aulas é que são determinantes para o crescimento do nível de qualidade da educação.

Embora Feder prefira esquecer o que escreveu, vale repetir o que dizia seu livro:

A melhoria da educação no Brasil passa por uma questão fundamental: é o Estado a entidade certa para operar dezenas de milhares de escolas? Será que o controle público é a melhor forma de gerir um colégio, escolher material didático, pagar professores e cuidar da manutenção?

No caso da maioria das nações do planeta, a resposta ainda é sim, apesar de que esse quadro pode estar mudando. Em quase todos os países, o governo opera um sistema público e gratuito de educação. A princípio esse fato inequívoco nos empurraria para defender o mesmo modelo no caso brasileiro, de uma rede pública e de qualidade. No entanto, uma série de casos de sucesso inquestionável está mudando a visão dos especialistas a respeito da melhor estrutura educacional e apontando as vantagens dos sistemas de vouchers.

O voucher educacional é um sistema bastante simples de entender: o Estado paga, os pais escolhem, as escolas competem, o nível de ensino sobe e todos saem ganhando. Ou seja, cada família recebe uma espécie de cupom com valor pré-determinado, com o qual pode matricular seu filho em escola particular e o valor do cupom é pago diretamente à escola pelo governo. Nesse cenário, apesar de o governo estar financiando a educação, o processo é gerido pelos princípios da competição e livre iniciativa. Escolas boas recebem muitos alunos, ganham dinheiro e crescem. Escolas ruins perdem alunos e precisam ou melhorar ou fechar as portas. Uma irresistível pressão por melhoria é formada.

Em novembro, o Contraponto submeteu a proposta a uma enquete. Pediu aos internautas que, de zero a 10, que nota dariam aos vouchers de Renato Feder: nos extremos, 53% deram nota zero; 23% deram 10.

2019-01-11T22:24:39+00:00 11 janeiro - 2019 - 22:24|Brasil, Paraná, Política|4 Comentários


4 Comentários

  1. Jorge Junior 12 de janeiro de 2019 em 01:22 - Responder

    Só uma pergunta. E se este processo fosse colocado em prática, quantas escolas particulares seria necessário construir?

  2. Artur 12 de janeiro de 2019 em 09:38 - Responder

    Os que deram zero, possivelmente, são pessoas ligadas à rede pública de ensino.

    • Leitora 13 de janeiro de 2019 em 10:52 - Responder

      Não sou ligada a rede pública de ensino, meus filhos estudaram nos colégios particulares e militar. Só que eu penso nos paranaenses pequenos e no futuro do Estado. Por isso dei zero. Voucher? Vc acha que educação e matricular o filho na escola e pronto? I m so Sorry….

  3. Leitora 13 de janeiro de 2019 em 10:49 - Responder

    Se feder acha que os estados unidos têm bom nível de ensino, realmente é a prova cabal de uma pessoa que não tem conhecimento de educação.

    Os índices americanos são bem ruins e eles são despreparados para lidar com o presente e o futuro. Está sendo falado de ensino básico e fundamental e médio.

    Stanford, Caltech, Princeton…sao ilhas de conhecimento e evolução. Ops, entupidas de estrangeiros mega inteligentes.

    Se o senhor não sabe o que e como, lhe aconselho. Peça emprestado um funcionário da stora enso (pois duvido que vc fale sueco ou finlandes) , compre uma passagem para Helsinki. Vá no dpto de edu e diga me ajuda a copiar o modelo de vcs para o Paraná. Aquele país é fundamentado na educação e cooperacao. Vc vai voltar com a mala cheia.

    Mais fácil: ligue para 61 3443 7151 é da embaixada , peça uma visita. Eles adoram ajudar. Vc vai ter um livro muito melhor na sua cabeça.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Contraponto. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Contraponto se reserva os direitos de não publicar e de eliminar comentários que não respeitem estes critérios.

Deixe uma resposta