Deputados federais do PSL, o partido do presidente Jair Bolsonaro, decidiram dar o “troco” no ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), e não vão blindá-lo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Embora Onyx tenha informado que não poderá comparecer nesta quarta-feira  (12) à audiência na CCJ, sua convocação está mantida e, se depender do PSL, ele será tratado como oposição. A ordem é para que os parlamentares sejam duros e até provoquem o articulador político do governo.

“Nós não vamos afrouxar com Onyx de jeito nenhum. Não vamos cercear o direito de ninguém perguntar o que quiser para o ministro”, disse ao jornal O Estado de S.Paulo o líder do PSL, Delegado Waldir (GO). “Nossos parlamentares estão livres para questioná-lo sobre qualquer assunto.”

O PSL tem se queixado de Onyx há algum tempo, mas o auge da irritação ocorreu na sexta-feira, quando o ministro demitiu o ex-deputado Carlos Manato, que é filiado ao PSL e, desde janeiro, ocupava a chefia da Secretaria Especial para a Câmara. Além de dispensar o auxiliar por telefone, o titular da Casa Civil nomeou o ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR) para a cadeira de Manato. Onyx também anunciou o desligamento do ex-deputado Victório Galli Filho (PSL), que trabalhava na secretaria comandada por Manato. Foi o que bastou para azedar as relações entre os dois partidos.

O depoimento de Onyx está marcado para as 14 horas. Apesar de não querer comentar os ataques públicos do PSL, Onyx disse, em conversas reservadas, estranhar a reação da legenda contra ele.