Há algumas falhas flagrantes na ação do governo que decretou intervenção no Rio de Janeiro: o Exército vai ajudar a combater o crime organizado e a violência que tomam conta dos morros e espalham o terror nas planícies e ricas praias cariocas. Sem dúvida, medida necessária diante da falência do Estado e das contaminadas forças de segurança comandadas pelo governador Pezão, provadamente incapazes de dar conta da tarefa.
Mas é bom lembrar: o que move as organizações criminosas é o dinheiro fácil que obtêm dos consumidores que não moram nas favelas e que formam um mercado tão amplo e milionário que, para dividi-lo entre si, as facções do crime se matam com armas pesadas e compõem a mórbida trilha sonora dos tiroteios que todos ouvem todos os dias e a qualquer hora, tombando vítimas também inocentes.
Dito isto, lembremo-nos também que as toneladas de maconha e cocaína que chegam ao Rio não são geradas lá. São produzidas em países vizinhos, 80% passam pelo Paraguai, atravessam as fronteiras, viajam por estradas brasileiras ou invadem o espaço aéreo nacional e são descarregadas nas “comunidades” cariocas. Veja o mapa.
Metade destas cargas entra pelo Paraná!
E as armas pesadas também não aparecem do nada no Rio de Janeiro. Fazem tortuosos caminhos e, outra vez, metade delas entra pelas fronteiras do Paraná e até paga pedágio nas nossas estradas!
Ok! dirão todos: a guarda das fronteiras é de competência do governo federal; o combate ao contrabando e ao tráfico nas fronteiras também é de incumbência federal. Portanto, conclui-se facilmente, o governo do Paraná não tem nada com isso.
Tem sim. Fala-se muito, principalmente nos períodos eleitorais, em integração das forças federais e estaduais do Paraná na tarefa comum de cortar a rota do tráfico que passa pelo nosso território. Se perguntarem sobre isto para as autoridades federais e estaduais, a resposta será sempre a mesma: tem integração sim, o trabalho é conjunto, estamos aumentando o policiamento etc. e tal.
Maravilha! Mas por que, então, há tantos anos o problema continua igual, não diminui, só aumenta? Ou seja, o governo do Paraná (por uma questão de justiça, não só o atual) é co-responsável pelo terror que se assiste no Rio de Janeiro e que levou à intervenção no estado.

Os comentaristas todos, ai em riba, não se referem ao tópico do assunto. Mas eu, desde sempre, venho insistindo num aumento severo e drástico nas fronteiras com os países produtores e exportadores de armas e de drogas. Correr atrás da bandidagem depois que as mercadorias estão nas mão dela, é burrice.
Complementando: e investindo o dinheiro que se gasta hoje na repressão em educação e tratamento de drogados. Isso sem falar nos impostos gerados pela venda legal e na queda dos prejuízos sociais e materiais causados pela banalização da violência.
A proibição das drogas só beneficia os fabricantes de armas. Tem que liberar tudo, de forma controlada, obviamente e aí acaba o trafico e a violencia extrema que isso causa. Lembrando que meus avós criaram (bem) um total de dezessete filhos (somando a família do pai e da mãe) numa época em que se comprava drogas nas farmácias de então. E bebidas alcoólicas eram liberadas como hoje em dia
Se fossem uns nóias, alguém acredita que teriam conseguido trabalhar dura e honestamente pra sustentar suas famílias? Libera tudo, combatendo a publicidade e a apologia, é claro.
É isso ContraPonto. Perfeito.
A ofensiva para o vampirão lipar sua barra precisa de bastante cortina de fumaça.
Em suma, utiliza-se um instrumento constitucional de gravidade 3 (depois vem o estado de sítio e o estado de guerra) para atuar no varejo das favelas cariocas e o interventor ainda diz que a situação não está tão ruim … ora, toda a sociedade brasileira sente que nas grandes e médias cidades a população está sitiada pela bandidagem … onde vamos parar com essas autoridades senão corruptas incompetentes e tergiversadoras ?