Pela segunda vez em menos de um mês, o governo do Paraná fez duas incursões no exterior à procura de inovações tecnológicas para promover o desenvolvimento do estado. A primeira incursão foi chefiada pelo próprio governador Ratinho Jr. que, nos primeiros dias deste mês, esteve no Vale do Silício, nos Estados Unidos, em busca de parcerias para tornar o estado referência mundial em agrotecnologia, mas da comitiva não fez parte nenhum especialista da área.

Busca de tecnologia agrícola "esquece" gente da áreaEsta semana o governador mandou para o Japão um assessor especial do seu gabinete, o ex-deputado Alexandre Guimarães, que, pelas redes sociais, define o objetivo de sua missão: “Nosso Paraná precisa muito da tecnologia que existe aqui e eles precisam muito da nossa produtividade agrícola.” Não há referências sobre eventual proximidade do ex-deputado com o setor.

Há, portanto, pontos em comum nestas duas primeiras viagens oficiais do governo paranaense. O primeiro é a escolha do setor agropecuário como prioridade do esforço para avançar na adoção de inovações tecnológicas. Escolha acertada: com suas fronteiras agrícolas praticamente esgotadas, o Paraná precisa investir muito em tecnologia para aumentar a produtividade, melhorar a qualidade e agregar valor aos produtos do campo.

Outro ponto em comum: apesar da declarada intenção de buscar avanços para o setor agropecuário, estranhamente não havia nas duas missões – ao Vale do Silício e ao Japão – representantes da área. Nem o secretário da Agricultura nem um pesquisador do Iapar, instituição científica do Paraná dedicada à pesquisa agronômica, fizeram parte das duas comitivas. Também não havia ninguém das poderosas cooperativas agropecuárias ou de seus avançados centros de pesquisa tecnológica.