Maior produtor nacional de leite, atrás apenas de Minas Gerais, o Paraná é um dos estados brasileiros mais ameaçados com a decisão do ministro Paulo Guedes (Economia) de eliminar a sobretaxa que o Brasil impõe às importações de leite em pó e outros lácteos da Nova Zelândia e União Europeia. Com formidáveis excedentes e custos de produção mais baixos, o produto que vem destes mercados chega ao país a preços bem inferiores aos que podem ser praticados por aqui. E, por isso, as importações podem ser uma ameaça aos produtores locais.

A retirada da sobretaxa, decidida na sexta-feira (8) chega numa hora em que o Paraná expande sua produção leiteira devido à constante melhoria genética do rebanho – processo iniciado na década de 1970 no governo de Jayme Canet, que importou do Canadá milhares de novilhas da raça holandesa – e à adoção de tecnologias de ponta. Graças a isto, a produtividade média das bacias leiteiras paranaense é o dobro das bacias de Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Na região de Castro, nos Campos Gerais, obtém-se produtividade média de 7.500 litros por vaca, a maior do mundo.

Grandes cooperativas leiteiras, responsáveis pela sobrevivência de milhares de produtores familiares paranaenses, devem entregar esta semana ao governador Ratinho Jr. documento em que expõem a preocupação do setor e pedem o socorro do governo estadual para prevenir os estragos que a eliminação da sobretaxa às importações tende a causar na economia do Paraná.