Riqueza está migrando para as cidades médias no Brasil, aponta estudo

O eixo tradicional de desenvolvimento brasileiro, historicamente concentrado nas regiões metropolitanas, passa por uma reconfiguração estrutural. Dados do IBGE mostram que cidades médias já respondem por mais de 40% do PIB nacional, enquanto capitais enfrentam aumento de custos e perda relativa de competitividade. O chamado “interior” deixou de ser sinônimo de economia primária para se consolidar como vetor relevante de geração de valor.

Municípios como Ponta Grossa, Londrina e Campinas exemplificam esse movimento ao combinar infraestrutura logística, proximidade com grandes mercados consumidores e forte presença industrial e de serviços. Na prática, empresas instaladas nessas regiões operam com custos que podem ser até 20% a 30% menores em comparação às capitais, segundo levantamentos de consultorias imobiliárias e industriais.

O avanço também aparece em indicadores de ambiente de negócios. O Endeavor Brasil, responsável pelo Índice de Cidades Empreendedoras (ICE), aponta que cidades fora das capitais vêm ganhando protagonismo em pilares como capital humano qualificado, acesso a mercados e inovação, fatores decisivos para atração de empresas de tecnologia, agroindústria e serviços especializados.

Esse movimento é impulsionado por uma lógica cada vez mais clara de “migração da eficiência”: empresas buscam maior rentabilidade aliando custos mais baixos a menor rotatividade de pessoal. Em regiões metropolitanas saturadas, o turnover elevado passou a ser um fator crítico de perda de produtividade, enquanto cidades médias oferecem maior estabilidade de equipes e ganho operacional.

 

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