Terminado o Carnaval, o mundo político tem tudo para entrar em nova crise e ampliar as dificuldades do governo para aprovar a reforma da previdência. Tudo por causa das desastradas declarações do diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, que “absolveu” o presidente Michel Temer das suspeitas de que teria favorecido uma empresa do setor portuário supostamente em troca de propinas operadas pelo ex-assessor e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures.
Desde que foi indicado para substituir Leandro Daiello no comando da PF, em novembro, Segovia é visto com desconfiança por políticos e observadores da cena do poder em Brasília. Apadrinhado por caciques do PMDB, particularmente pelo ex-presidente José Sarney, o diretor-geral é visto como alguém a serviço do grupo de Temer para barrar investigações que o envolvam.
Segovia tem negado a acusação e dito que seu trabalho demonstrará o que fala – no caso, conforme a entrevista que deu à Agência Reuters, que o inquérito que investiga Michel Temer de favorecer a empresa Rodrimar, de Santos, com suposto pagamento de propina, deverá ser arquivado por falta de indícios.
A exemplo da entrevista à Reuters, o diretor-geral dá declarações que vão ao encontro da tese levantada pela oposição – a de que ele é uma das peças da estratégia peemedebista para “estancar a sangria” de investigações como a Lava Jato. Logo em sua primeira entrevista coletiva, instantes depois de tomar posse, o diretor-geral disse que uma mala com R$ 500 mil em dinheiro – entregue secretamente a Rocha Loures depois de uma espécie de roteiro depreendido de uma conversa com Temer e Joesley Batista, um dos donos da JBS – não é suficiente como prova de corrupção.
Agora, Segovia diz que não há indícios de que a Rodrimar tenha sido beneficiada, nem que tenha havido oferta de propina. A PF apura se o decreto de Temer que ampliou para 35 anos as concessões do setor favoreceu a empresa. Além de Temer, Rocha Loures e outros mencionados, o presidente da Rodrimar, Antônio Grecco, e o diretor da empresa Ricardo Mesquita também estão na mira das investigações.
A entrevista à Reuters provocou rebuliço em pleno carnaval, causando constrangimento no Palácio do Planalto e dando munição aos oposicionistas no retorno aos trabalhos do Legislativo e às vésperas do início das discussões de plenário, na Câmara, sobre a reforma da Previdência. As declarações de Segovia, além da péssima repercussão no meio político, foram fortemente criticadas por entidades como a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), além da própria PF.

É a era do protagonismo a qualquer preço. Chutando: geração que assistiu muito Big Brother, acostumou-se a falar qualquer merda nas redes sociais e esquece de separar a pessoa física da pessoa pública. Na hora de se manifestar esquecem de pensar na responsabilidade que têm.