Como tem feito quase diariamente, o presidente Jair Bolsonaro parou o carro na saída do Palácio da Alvorada antes de iniciar o expediente no Palácio do Planalto. O pretexto, como sempre, é cumprimentar grupos de populares que se aglomeram na portaria para saudar o “mito”, mas a intenção tem sido a de improvisar entrevistas com os jornalistas que também aprenderam que dali tiram boas declarações.
Na tumultuada (como sempre) entrevista da manhã desta sexta-feira (9), o presidente estava ao lado do ministro da Justiça, Sergio Moro, que cumpriu o papel de concordar com tudo sempre.
Bolsonaro disse aos jornalistas que o “capitão motosserra” – apelido que recebeu em manchete de um jornal – resolveu contribuir com as causas ambientais ao propor a medida provisória que desobriga as empresas de publicar seus balanços anuais nos jornais de grande circulação. Tais publicações gastam páginas de papel, que são feitas de árvores. Preservando árvores, estamos contribuindo para combater o aquecimento global e o efeito estufa, ironizou.
Mas isto não seria uma represália contra as críticas que recebe da imprensa? – indagou um repórter. Bolsonaro negou. Disse que era uma forma de ajudar os empresários a gastar menos e a reduzir o preço dos seus produtos para a ponta do consumidor. Os balanços poderão, a partir de agora, ser publicados a custo zero no Diário Oficial da União.
Moro concordou prontamente: a imprensa tem de se reinventar, aconselhou. Agora tem internet, lembrou.
Bolsonaro falou também do incentivo que pretende dar ao agronegócio, liberando agrotóxicos para aumentar a produção, já que a população está crescendo e precisa ser comer.
Mas isto não vai na contramão da preservação ambiental? – perguntou outro repórter, a quem o presidente deu uma resposta escatológica: é fácil preservar o meio ambiente, basta você comer um pouquinho menos e fazer cocô de dois em dois dias.
E, por fim, dentre outras preciosidades, defendeu a exclusão de ilicitude – que isentam de responsabilização judicial os policiais que matarem marginais – presentes no pacote anticrime proposto por Sérgio Moro e pelo projeto isolado, de sua própria autoria, que remeteu ao Congresso esta semana. Sem a preocupação de serem processados, os policiais serão mais respeitados pelos marginais que dominam os morros e, então, a violência mais diminuir, raciocinou.
Moro concordou. Segundo ele, embora iguais, as duas propostas são ótimas, mas observou: os eventuais excessos de violência policial serão sempre apurados antes de se levar um militar a julgamento e punição.
E já que Moro falou em excessos, Bolsonaro complementou para os repórteres: “Se excesso de jornalismo desse cadeia, todos vocês estariam presos agora, todos vocês, tá certo?”
Nesse momento o presidente foi aplaudido pelos populares.

E se ele topasse só falar merda dia sim, dia não, já ia ser um grande avanço também.