O candidato ao Senado Federal, deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos), colocou a infraestrutura do Oeste entre as prioridades de uma eventual atuação em Brasília. Em entrevista ao jornalista José Roberto Benjamin, no Paraná Podcast, do Jornal O Paraná, em Cascavel, Curi defendeu investimentos na Nova Ferroeste e afirmou que pretende atuar para ampliar a participação do governo federal em projetos considerados estratégicos para o desenvolvimento da região.
Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Curi disse que sua candidatura ao Senado está ligada à intenção de aumentar a representação dos interesses paranaenses no Congresso. Na entrevista, citou ainda como prioridades a revisão do pacto federativo, a regulamentação da reforma tributária, a distribuição dos royalties, a descentralização da saúde e a relação direta com prefeitos e municípios.
Ao falar especificamente do Oeste, o candidato destacou o peso do agronegócio e do cooperativismo e afirmou que o crescimento econômico precisa ser acompanhado por investimentos em logística. “Essa região, que tem a força do cooperativismo, do agronegócio, precisa de investimentos em infraestrutura, e o investimento ferroviário é fundamental”, afirmou.
Nova Ferroeste
Curi apontou a Nova Ferroeste como uma das pautas que pretende defender caso seja eleito senador. Na entrevista, ele citou a necessidade de melhorar a ligação ferroviária entre Cascavel, Guarapuava e o Porto de Paranaguá e mencionou gargalos na Serra da Esperança e na Serra do Mar.
O candidato também defendeu que a discussão sobre a Malha Sul seja utilizada para viabilizar novos investimentos ferroviários no Paraná. Segundo Curi, o objetivo é integrar o trecho entre Cascavel e Guarapuava à ligação até Paranaguá e, posteriormente, avançar nas conexões de Cascavel com Foz do Iguaçu, Chapecó e Maracaju. “Essa é uma pauta de um senador do Paraná”, disse, criticando a ausência de participação dos atuais senadores nas discussões sobre a nova ferrovia.
Para Curi, o tema ganha importância adicional no Oeste pela concentração de grandes cooperativas e pela necessidade de ampliar alternativas para o escoamento da produção. Ao encerrar a entrevista, ele voltou ao assunto e classificou o Oeste como “o coração” do Paraná. “O Oeste é o coração desse Estado. E o governo precisa acompanhar com obras de infraestrutura. O governo do Estado tem feito muito, mas o governo federal tem uma capacidade maior”, afirmou.
“Menos Brasília, mais Paraná”
A defesa de maior presença do Estado no Congresso atravessou boa parte da conversa. Curi fez críticas à atuação dos atuais representantes paranaenses no Senado e afirmou considerar insuficiente a participação deles em discussões de interesse do Estado. “Nós temos que ter menos Brasília, mais Paraná”, declarou.
O candidato afirmou que pretende manter uma relação próxima com prefeitos, receber gestores municipais em seu gabinete e acompanhá-los em ministérios e órgãos federais. A proposta é apresentada por Curi como uma extensão do modelo municipalista que adotou durante seus mandatos na Assembleia Legislativa.
Ele também defendeu mudanças no pacto federativo para aumentar a autonomia financeira de estados e municípios. Na entrevista, Curi afirmou que o Paraná arrecada muito mais em tributos federais do que recebe de volta e sustentou que uma representação mais ativa no Senado poderia aumentar a capacidade do Estado de disputar investimentos e participar de decisões nacionais.
Cooperativas e reforma tributária
Outro assunto diretamente relacionado ao Oeste foi a regulamentação da reforma tributária. Curi afirmou que pretende acompanhar o tema no Senado para evitar prejuízos ao setor produtivo e, especialmente, às cooperativas.
O candidato destacou a concentração de grandes cooperativas agroindustriais na região e defendeu que as particularidades do modelo cooperativista sejam consideradas nas decisões tomadas em Brasília.
Para ele, a força econômica alcançada pelo Paraná nos últimos anos aumenta a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura. “Esses investimentos em infraestrutura têm que acompanhar”, disse.
Além da ferrovia, Curi mencionou projetos de integração com Mato Grosso do Sul como importantes para criar novos corredores de escoamento da produção em direção ao Porto de Paranaguá.
Experiência na Alep
Questionado por José Roberto Benjamin sobre o porquê do voto dos paranaenses, Curi apresentou como credenciais a trajetória de seis mandatos como deputado estadual, a Presidência da Assembleia e os resultados administrativos alcançados pelo Legislativo.
Ele destacou a economia de recursos da Casa e a destinação, pelo Governo do Estado, de parte do dinheiro economizado para investimentos nos municípios, especialmente pavimentação e construção de creches. “As pessoas não querem mais o discurso, as pessoas querem o resultado. Eu não sou pago para brigar, sou pago para trabalhar”, afirmou.
Curi também relacionou os resultados alcançados no Paraná ao diálogo entre os Poderes e à parceria institucional com o governador Ratinho Junior. Segundo ele, a estabilidade política permitiu que Executivo e Legislativo trabalhassem conjuntamente sem eliminar a independência entre os Poderes. “Ninguém faz nada sozinho. Não tem salvador da pátria, super-herói. Super-herói a gente vê no cinema. Na vida pública tem gestor”, disse.
O candidato afirmou que pretende levar esse modelo de atuação ao Senado, combinando fiscalização, articulação política e defesa de projetos para o Estado.
Políticas sociais.
Na saúde, Curi defendeu a atualização da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) utilizada para remunerar hospitais filantrópicos e Santas Casas. Segundo ele, a defasagem compromete a capacidade financeira das instituições e precisa entrar na agenda da bancada paranaense em Brasília.
O candidato também citou a descentralização dos serviços de saúde, educação, habitação e infraestrutura como áreas nas quais pretende buscar recursos federais para o Paraná.
Nesse ponto, voltou a relacionar a candidatura ao Senado à experiência de interlocução com prefeitos. “Eu quero ser um senador que seja a voz dos prefeitos, que receba os prefeitos no seu gabinete, no Senado, que acompanhe os prefeitos nos ministérios”, afirmou.
Curi critica STF
A política nacional também entrou na entrevista. Questionado sobre a relação entre Senado e Supremo Tribunal Federal (STF), Curi afirmou que há uma “grave crise institucional” no país e defendeu maior delimitação das competências dos Poderes.
O candidato criticou decisões monocráticas que suspendem leis aprovadas pelo Congresso e defendeu mudanças nas regras de funcionamento e composição do Supremo. Entre as propostas mencionadas estão a criação de mecanismos externos de fiscalização, regras mais rígidas para atuação profissional de parentes de ministros, maior transparência sobre palestras remuneradas, quarentena após a aposentadoria e alterações no processo de escolha dos integrantes da Corte.
Curi também afirmou que poderia votar favoravelmente ao impeachment de ministros caso considere que exista provas suficientes, mas disse que a decisão não deveria ser orientada por posicionamento ideológico. “Um bom senador tem que votar como magistrado, baseado em provas”, afirmou.
“Escolha quem tem trabalho”
No encerramento, Curi voltou a concentrar sua mensagem na presença regional.
O candidato afirmou que pretende percorrer o Estado durante um eventual mandato no Senado, mantendo contato com municípios, cooperativas, setor produtivo, instituições de ensino e entidades de saúde. “Eu quero, acima de tudo, resgatar essa força que o Paraná já teve. A gente não pode ser o Estado que representa tanto para o Brasil e não ter um senador presente”, disse.
Para o Oeste, a mensagem voltou ao ponto que havia marcado o início da entrevista: infraestrutura. Curi afirmou que projetos ferroviários e outras grandes obras dependem de articulação com a União e defendeu uma representação paranaense capaz de aproximar as demandas regionais do governo federal. “Nós não vamos fazer investimento na Ferroeste se não tiver o apoio do governo federal”, afirmou.
Ao pedir apoio aos eleitores, resumiu o argumento que pretende levar à campanha: “Escolha quem tem trabalho, quem tem serviço prestado”.
A participação no Paraná Podcast integra a série de entrevistas do Jornal O Paraná com os candidatos ao Senado nas eleições de 2026.
