Governo Bolsonaro quer aumentar “pedágio do Lula” em 25%

Para readequar contratos herdados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ministério de Infraestrutura quer permitir um aumento médio de até 25% dos pedágios para sete rodovias no Sudeste e no Sul, segundo revela a Folha de S. Paulo nesta terça-feira. Os reajustes permitiriam às concessionárias aumentar investimentos em obras.

Na Régis Bittencourt, por exemplo, que liga a capital paulista ao Sul e é uma das rodovias com maior tráfego de carga do país, a exigência de investimento é de pelo menos R$ 1,1 bilhão. A tarifa nessa estrada poderia passar, ainda na avaliação de técnicos, dos atuais R$ 3,20 para R$ 4 (25%).

Existem rodovias, como a BR-116 (PR/SC), da Autopista Planalto Sul, que precisam realizar R$ 383 milhões em investimentos, mas o pedágio nessa via já é elevado (R$ 6,50), deixando pouca margem para correções. Com uma tarifa de R$ 7, a BR-393 (Rodovia do Aço), administrada pela K-Infra, também tem pouco espaço de manobra.

Em alguns casos, como o da Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, o reajuste pode chegar a 58%.

As concessionárias responsáveis pelas estradas enfrentam desequilíbrio financeiro e alegam não conseguir investir R$ 7 bilhões em obras de melhoria previstas nos contratos.

A Arteris, que tem como sócias a espanhola Arbetis e a canadense Brookfield, precisa honrar com R$ 4,6 bilhões para cumprir exigências como duplicações, faixas adicionais, sistemas de controle e monitoramento em cinco vias.

Outras duas empresas, a Acciona e a paranaense Triunfo – sócia a Econorte e pivô de malfeitos investigados pela Lava Jato no governo Richa – teriam de arcar com mais R$ 2,4 bilhões para melhorias em duas estradas.

Simulações indicam que a proposta de aumento do pedágio poderia gerar R$ 600 milhões por ano às concessionárias Planalto Sul, Fluminense, Fernão Dias, Régis Bittencourt e Litoral Sul, controladas pela Arteris, valor que seria suficiente para os investimentos.

O ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, afirmou à Folha que “há espaço para aumento” até maior de tarifa em rodovias que não têm mais obras programadas.

“Nessas estradas, há pedágios muito baixos, sem investimentos previstos, e queremos autorizar aumento. A questão é saber se a população não aceita pagar um pouco a mais para ter uma terceira faixa, por exemplo. Para isso, vamos fazer consulta pública.”

2019-02-12T16:03:18+00:00 12 fevereiro - 2019 - 09:46|Brasil, Paraná, Política|5 Comentários


5 Comentários

  1. Eduardo Pereira 12 de fevereiro de 2019 em 10:03 - Responder

    “Simulações indicam que a proposta de aumento do pedágio poderia gerar R$ 600 milhões por ano às concessionárias ”
    Vamos lá MP , faz de conta que a partir do que acontece no PR com os pedágios , alguém percebeu que sem molhar a mão do Poder Público não ha alteração na tarifa e vai investigar como se o aumento fosse dado pelos bolivarianos comunistas do PT?

    Tô morrendo de pena de concessionárias de Pedágio. Pobre deles que vivem de cobrar pra voce andar naquilo que já estava lá ha anos.

    `Pe o mesmo sentimento que tenho pelos dos de ônibus de Curitiba, aqueles coitados, que precisam sempre do Prefeito pra poder comprar o peru do ano novo e o bacalhau do Natal.

  2. Oto Lindenbrock Neto 12 de fevereiro de 2019 em 15:14 - Responder

    Vamomudátudissaí! Talquei?

  3. Ricardo R 12 de fevereiro de 2019 em 20:42 - Responder

    ” O combinado não é caro”. ” Quem não tem competência não se estabelece”, e por aí vai. Ditados antigos que seriam levados a sério num país que fosse serio. Ah, tá tristinho com os resultados, neném? Fácil, pede pra rescindir o contrato, e que seja feita nova licitação. Não sou nem nunca fui socialista, mas vamos convir que é difícil engolir esse tipo de capitalismo de araque, que privatiza os lucros e socializa os prejuízos. Em tempo: que fatia desses aumentos vai ser direcionado a propinas diversas pra engraxar poderes diversos?

  4. Roberto E 13 de fevereiro de 2019 em 14:33 - Responder

    Perfeito Ricardo R. Se participaram da licitação e concordaram que o preço praticado dava, agora tem que dar, e não aumentar. Senão seguimos com mais do mesmo! E não votamos para isso.

  5. Xhyko 14 de fevereiro de 2019 em 11:12 - Responder

    Votamos para mudar para pior. O ódio que conseguiram disseminar fez com que votassemos num ruim para mudar.

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