Golpe com bitcoin leva justiça a penhorar bens de "banqueiro"Uma luz de esperança, ainda muito pálida, se acendeu para as centenas de investidores que aplicaram suas economias no Bitcoin Banco – uma instituição paralela de negociação de criptomoedas que até semana passada operava em sua luxuosa sede curitibana negócios de milhões de reais em todo o Brasil e no exterior. Desde abril desse ano, os investidores reclamavam ter sido vítimas de um golpe financeiro e não conseguiam mais resgatar as poupanças que haviam depositado no Bitcoin com a promessa de que seriam multiplicadas.

Na sexta-feira (16), porém, oficiais de justiça foram à casa do “banqueiro” Cláudio Oliveira, dono do Bitcoin Banco, com a ordem de recolher até mesmo sapatos e bolsas de luxo da esposa dele, como parte da ação de penhora decretada pela Justiça para garantir o ressarcimento dos prejuízos sofridos por um pequeno grupo familiar de Curitiba, que reclamava de volta os R$ 13 milhões que havia investido no Bitcoin.

O total das perdas estimado até agora entre todos os que foram atraídos pelas ofertas de altos ganhos em bitcoin varia entre R$ 200 milhões de R$ 1 bilhão, grande parte entre investidores de Curitiba e interior do Paraná e São Paulo.

Uma ação do advogado Gustavo Bonini Guedes em nome da família curitibana resultou na penhora dos bens pessoais de Cláudio Oliveira – imóveis e automóveis, mas também obras de arte, joias, relógios, roupas, sapatos Laboutin e móveis do banqueiro.

Procurado, Guedes, que representa clientes com R$ 13 milhões a receber e que aguardam cumprimento de um acordo já firmado, não quis comentar o assunto.

O sequestro dos bens foi apressada em razão dos boatos cada vez mais insistentes de que Cláudio Oliveira estava prestes a empreender fuga para a Suíça.

Cláudio se defende: ele diz que seus sistemas informatizados foram invadidos por hackers, que transferiram fizeram desaparecer registros das contas dos investidores. Dezenas de ações judiciais tramitam em tribunais de vários estados, com resultados desfavoráveis ao Bitcoin Banco.

Entre março e maio de 2019, ele foi assíduo frequentador de colunas sociais com festas e jantares promovidos em São Paulo e Curitiba. Numa dessas, com cobertura do apresentador Amaury Júnior, passou a ser chamado de “o rei do bitcoin” e, em entrevista, disse ter feito receita superior a R$ 180 milhões só em março com as taxas cobradas das movimentações no grupo. À época, dizia que tinha o maior volume transacionado do mundo, chegando a US$ 900 milhões ao dia em abril.