Se depender do ministro Gilmar Mendes, uma das principais delações obtidas pelo Ministério Público Estadual dentro da Operação Publicano poderá ser anulada pelo Supremo Tribunal Federal. Em sessão da 2.ª Turma do STF nesta terça-feira (21), ele votou por anular a delação de ex-auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, mas em seguida o ministro Luiz Edson Fachin pediu vista e adiou a votação final para a 11 de junho.

A Publicano foi deflagrada pelo MP de Londrina ainda no primeiro mandato de Beto Richa e investiga um esquema que oferecia a empresários do Norte do Paraná o perdão de multas e de impostos em troca de propinas que, teoricamente, seriam endereçadas para campanhas eleitorais do grupo político chefiado pelo ex-governador.

Gilmar argumentou que o delator cometeu outros crimes após ter assinado a colaboração, foi outra vez preso e retirou algumas acusações que constavam dos termos iniciais. Por isso, na opinião do ministro, todo o acordo deve ser cancelado, mesmo porque, na sua opinião, “a delação se tornou um instituto em que se faz uma coleção de abusos”.