Assim que a então secretária da Educação, Ana Seres, identificou que o ex-diretor Maurício Fanini conduzia os esquemas de desvio do dinheiro que estava destinado à construção e reforma de escolas, ela correu ao procurador do Estado Sérgio Botto para perguntar o que devia fazer. Ela sabia das relações de amizade entre Fanini e o ex-governador Beto Richa e temia tomar decisão errada.
Botto não teve dúvidas: “demita já o rapaz”, aconselhou. Seres então procurou a Casa Civil para encaminhar a providência e, novamente, Botto insistiu na urgência da exoneração para evitar mal maior ao governo e ao governador. Era tudo quanto o procurador sabia até então sobre as estripulias do ex-diretor.
Fanini ficou desempregado e, segundo relatou na delação, sem condições de sobrevivência. Foi quando, então, passou a receber pelas mãos do empresário (e também amigo da família Richa) Jorge Atherino uma mesada de R$ 12 mil, que servia para acalmá-lo.
Na delação, Fanini tenta se “vingar” de Sergio Botto, citando-o como emissário de recado de que seria preso e recomendação para que destruísse documentos. Fanini citou a data em que teria recebido estas instruções: julho de 2015. Botto viu a delação, observou as datas, se sentiu aliviado e interpretou: “foi vingança porque eu ajudei para que fosse demitido: naquele mês ele se encontrava em férias, fora de Curitiba e ausente dos acontecimentos.
