Os deputados estaduais pediram nesta terça-feira, 21, durante audiência pública na Assembleia Legislativa, a revisão ou rescisão do acordo de leniência firmado pela concessionária Rodonorte com o Ministério Público Federal. No entendimento dos deputados, o acordo não atende aos interesses dos paranaenses, por não prever a inclusão de todas as obras de duplicação, como da Rodovia do Café, BR-376, e da PR-151, entre Jaguaraíva e Piraí do Sul.

Da sessão, proposta pelos deputados Luiz Claudio Romanelli (PSB) e Tião Medeiros (PTB), participaram representantes do Tribunal de Justiça, Procuradoria Geral do Estado (PGE), OAB/PR, Agência Reguladora do Paraná (Agepar), Departamento de Estradas e Rodagem (DER), Instituto Brasil Transportes (IBT), além de lideranças empresariais e também da sociedade civil. O Ministério Público Federal não mandou representante.

Os deputados questionaram o fato de o Governo do Estado não ter sido ouvido. “Cabe à Procuradoria Geral do Estado questionar o acordo que não defende os interesses dos paranaenses”, disse o deputado Romanelli. O líder do governo, deputado Hussein Bakri (PSD), reiterou esta ausência de diálogo da Lava-Jato com o governo estadual. “O estado sequer foi consultado sobre este acordo dessa monta”, disse.

O acordo de leniência da Lava-Jato com a Rodonorte prevê pagamento de R$ 750 milhões até o final da concessão, que acaba em 2021. Desse valor, R$ 350 milhões serão destinados ao pagamento de parcela da tarifa dos usuários, com a consequente redução em 30% do valor do pedágio de todas as praças operadas pela empresa. A empresa também deverá pagar R$ 365 milhões que serão destinados à execução de parte das obras nas rodovias, conforme o plano de exploração original da rodovia.

Na avaliação dos deputados, a dívida que a Rodonorte tem com o Estado é maior e beira a R$ 2,5 bilhões. “O acordo estabelece uma quantia ínfima e não coloca a duplicação de obras importantes, como a Rodovia do Café”, criticou o deputado Romanelli.