Deputado desconfia de plágio no projeto do governo

Um dos 23 novatos eleitos em outubro passado para a Assembleia Legislativa, o deputado Arilson Chiorato (PT) surpreendeu o plenário na sessão desta tarde (12) com uma revelação constrangedora: grande parte dos estudos da Fundação Dom Cabral que embasaram a reforma administrativa proposta pelo governo Ratinho Jr. é cópia fiel de estudos feitos por outras instituições e pesquisadores. O deputado se recusa a dizer que foi um plágio, mas um “descuido” de quem elaborou a proposta ao deixar de citar as fontes dos textos utilizados.

A realização do estudo foi anunciado por Ratinho Jr. no período da transição – isto é, entre a eleição de outubro e a posse em 1.º de janeiro – visando a enxugar a máquina administrativa com a redução do número de secretarias e de cargos comissionados. As despesas anuais cairiam em torno de R$ 10,5 milhões. O custo para a realização do estudo pela Fundação Dom Cabral, em valor não divulgado, foi rateado entre as as entidades empresariais do Paraná que compõem o G7 – isto é, sem gasto por parte dos cofres públicos.

Chiorato diz que incoerências internas e até mesmo mudanças estilísticas no texto da proposta o fizeram desconfiar de enxertos. Após pesquisa, ele identificou que muitas páginas haviam sido copiadas de outros estudos que, não necessariamente, se referiam a estudos de reforma administrativa.

Há duas semanas, o deputado Soldado Fruet (Pros) já havia denunciado inconsistências no projeto enviado pelo governo para votação pela Assembleia. Ao contrário do anúncio oficial de que haveria redução de estruturas e de despesas, o parlamentar apresentou análise técnica em que, segundo ele, ficou demonstrado crescimento de gasto e até mesmo ampliação da máquina.

As críticas obrigaram o governo a retirar o projeto para submetê-lo a mudanças. O líder do governo, deputado Hussein Bakri, agradeceu a contribuição dos deputados (veja aqui e aqui) que detectaram os possíveis erros e prometeu para os próximos dias a apresentação de uma nova versão da proposta.

2019-03-13T09:09:47-03:00 12 março - 2019 - 18:01|Brasil, Paraná, Política|2 Comentários


2 Comentários

  1. Zangado 12 de março de 2019 em 20:27 - Responder

    Fazer um “estudo” de tal “envergadura e importância” em prazo tão exíguo já, de saída, deveria causar perplexidade, senão, desconfiança … é assunto para abertura de investigação, não se pode aceitar esse tipo de enganação.

  2. Claudio Belão 13 de março de 2019 em 10:05 - Responder

    VAMOS RATINHO, com esse papinho que a dom cabral não ta cobrando nada, claro você deu a presidência do TECPAR a essa fundação cheiro de queijo no ar!!!!
    O novo diretor-presidente do Tecpar, Fabio Cammarota, eleito no último dia 11, foi indicado pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior por sua experiência de mais de 25 anos na área de gestão pública. Professor de Gestão Pública e Organização do Estado na Fundação Dom Cabral, Cammarota participou do estudo feito pela instituição para realizar a reforma administrativa no Governo do Estado.

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