Delegados aplaudem decreto que transfere presos para o Depen

O presidente da Associação dos Delegados da Polícia Civil do Paraná (Adepol), Daniel Fagundes (foto), diz que a categoria aplaude o decreto baixado pela governadora Cida Borghetti que retira dos profissionais da Polícia Civil (delegados, investigadores, escrivães) a responsabilidade de fazer a guarda das carceragens instaladas nas delegacias.

Em nota para o Contraponto, Fagundes destaca que “tendo em vista a não construção dos 14 presídios prometidos pelo governo Beto Richa, a solução possível foi a que se concretizou pelo decreto”, que determina que “o Departamento Penitenciário (Depen) assuma 6.100 presos que estão nas unidade da Polícia Civil!.

Atualmente, diz ele, 60% dos presos estão “sob a responsabilidade indevida da Polícia Civil e a passagem para o Depen é um grande avanço nessa área tão espinhosa do estado, que a questão prisional”.

Fagundes lembra que “quase nada foi feito nos últimos 15 anos nessa seara. Portanto, vemos tal ato como um avanço, pois desafogará a Polícia Civil, possibilitando que pelos menos nas 37 comarcas definidas pelo decreto, nossos profissionais possam retomar com exclusividade fim para a qual é vocacionada legal e constitucionalmente”.

2018-11-08T08:18:29+00:00 07 novembro - 2018 - 20:09|Brasil, Paraná, Política|3 Comentários


3 Comentários

  1. Leafar Enotnes 8 de novembro de 2018 em 10:25 - Responder

    Grande mentira esse Decreto, urdido nas sombras pela SESP, sem esclarecer à Governadora e à sociedade que quem perderá é o cidadão, que acabará privado da segurança preventiva nas ruas.
    Explico de forma objetiva, porque sei que virão as justificativas rasas e hipócritas: o DEPEN não tem condições de assumir por seus meios todas essas carceragens. Sob várias justificativas, como falta de efetivo, escalas de serviço mais elásticas, falta de treinamento etc. E, como sempre ocorre no formato do sistema de segurança pública brasileiro, quem terá que dar conta da segurança de muralhas, guarda de presos em hospital, transporte e guarda de presos, será a Polícia Militar.
    E quando você tira a PM das ruas, para fazer uma incumbência que originalmente não é sua, você está descobrindo o cidadão da segurança primária, que é a prevenção. Você está colocando quem prende pra cuidar, o que é doutrinariamente inconcebível e causa grande prejuízo ao sistema.
    É fácil constatar o que escrevo. Há pouco tempo, em Londrina, transferiram a carceragem da Polícia Civil para o DEPEN. Como agora, houve a proposta de uma transição responsável e o que se viu foi que a Polícia Civil simplesmente abandonou o que antes era sua responsabilidade e o caos se instalou. Audiências judiciais passaram a ser canceladas, falta de segurança na cadeia e outros problemas.
    O resultado foi que a PM foi obrigada a retirar quatro equipes e quatro viaturas das ruas para atender exclusivamente a guarda, custódia e escolta de detentos. Ou seja, objetivamente a prova de burros e desculpas toscas, diminuiu a segurança do cidadão. Enquanto se concentram esforços no delinquente preso, seus comparsas no crime ganham espaço para agir com violência nas ruas. Simples assim!!!
    Que vergonha, senhor Delegado Julio Reis! Que vergonha, Coronel Élio! Que vergonha, Delegado Recalcati!
    Que vergonha, Governo do Paraná! Nosso agradecimento por jogar-nos aos lobos, justo nós, cidadãos que pagamos seus salários.

  2. Arildo 8 de novembro de 2018 em 13:52 - Responder

    A grande desculpa é o desvio de função. Mas não seria desvio de função policiais Civis uniformizados fazendo policiamento ostensivo, como fazem o Cope e o Tigre. helicóptero pra fazer policiamento também ostensivo. Aí quando dizem que irão melhorar a investigação eu digo DUVIDO. A CIVIL SÓ INVESTIGA O QUE DÁ MIDIA. Quando roubam o mercadinho ou o carro Velho do trabalhador, nem bo querem fazer, jogam pra pm. A Polícia Civil não faz falta para a sociedade, se deixar de existir o cidadão de bem nem vai notar, só a bandidagem vai ver que acabou o balcão de acertos.

  3. Cícero Guedes 8 de novembro de 2018 em 15:07 - Responder

    Se realmente se comprovar o fato de se tirar policiais militares das ruas para fazerem guarda de presos, será uma canalhice sem tamanho, tanto dos delegados como da governadora. Eu quero é Polícia na rua e não em presídios ou delegacias, por favor , se há quinze anos está assim e ninguém sentiu falta da investigação da Polícia o que eu vou dizer. Acaba logo com essa organização e passa os meios pra quem vai fazer o trabalho.

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