Carnaval na Ilha do Mel, uma agressão ao bom senso

A Ilha do Mel, que tem as praias mais bonitas e limpas do litoral paranaense, é considerada um verdadeiro paraíso. Mas neste Carnaval, tem tudo para virar um verdadeiro inferno. Ao menos para os moradores da praia de Nova Brasília. Tudo porque a Associação dos Nativos da Ilha do Mel resolveu se associar ao proprietário do Bossa Bar, de Curitiba, e realizar o Carnailha, de 2 a 5 de março, na sede da Associação – um barracão (foto) que está caindo aos pedaços, com apenas dois banheiros em estado deplorável.

Em anos anteriores, os moradores e donos de pousadas se mobilizaram e conseguiram impedir a realização dessas festas – que não tem hora para terminar e cujos frequentadores usam os quintais vizinhos como banheiro público e a praia como motel. Por falta de efetivo, a polícia ambiental não fiscaliza o volume do som nem o cumprimento do horário de encerramento. O resultado é que até de manhã os moradores têm que aturar o som em volume altíssimo.

Moradores acionaram as autoridades competentes pedindo o embargo do barracão, diante das condições precaríssimas, mas a informação é que os responsáveis pelo evento têm todos os alvarás necessários, emitidos pela Prefeitura de Paranaguá.

Como, em sã consciência, um fiscal municipal pode emitir uma licença sanitária para o local? Basta uma batida de olhos para perceber que o local é inadequado, não tem isolamento acústico, comporta menos de 300 pessoas e não têm condições sanitárias.

Os moradores da região apelaram à Promotoria de Paranaguá, para que tome providências no sentido de embargar a realização dos bailes, já que não há como garantir segurança para moradores, hóspedes de pousadas e proprietários de casas de veraneio. Eventos em anos anteriores comprovaram que a polícia não consegue impor limites aos frequentadores e que os organizadores não respeitam horários ou restrições. A vizinhança que se lixe!

A Ilha do Mel, é bom lembrar, é uma unidade de preservação permanente, com uma reserva ecológica. Não pode ser tratada como se fosse um balneário qualquer.

Com a palavra, o Chefe de Unidades De Preservação do Estado, Aristides Athaíde, o secretário do Meio Ambiente, Márcio Nunes. E o prefeito de Paranaguá, cujos servidores autorizaram a barbaridade.

2019-02-22T16:13:35-03:00 22 fevereiro - 2019 - 10:11|Brasil, Paraná, Política|9 Comentários


9 Comentários

  1. Leitora 22 de fevereiro de 2019 em 10:24 - Responder

    Já autorizaram? Ah que falta de técnica.

    umprir seu dever com técnica e disciplina não parece ser da competência de alguns servidores do Estado.

    Governador, o senhor vai pular carnaval em Manhattan? No tienes nada com.isso?

  2. Artur Cezar da Veiga Carvalho (41)99972.1130 22 de fevereiro de 2019 em 10:58 - Responder

    OPORTUNO e IMPORTANTE
    Essa notícia revela diversos “contrapontos” relacionados com nossa Ilha do Mel.
    Entre estes, o “descaso” e a “negligência” com que é tratada essa Reserva Ambiental – conhecida internacionalmente como ILHA DO MEL mas sem o mínimo de atenção.

    No caso desse Carnaval (pode isso ?) é um “grito” contra tudo o que se pode ter no ideário AMBIENTAL. .

    Além de tudo, é estranho.
    Para se obter uma licença para reformar um banheiro ou trocar um telhado de uma residência, o IAP é imprescindível (é o gestor da Ilha) e leva de 7 a 10 meses para autorizar.

    Como é que um evento para 600 pessoas em um ambiente SEM BANHEIROS, totalmente precário, que tem normas de SILENCIO e vizinhança que não aceita esse tipo de IMPACTO, pode ser tão rapidamente licenciado?

    É revoltante, não apenas a gestão negligente, reconhecida por todos que vivem na Ilha. Mas é muito mais ainda assistir essa AGRESSÃO e imaginar… GOVERNO EXISTE PRA QUE?

    OBRIGADO AO JORNALISTA CELSO NASCIMENTO

  3. Ricardo R 22 de fevereiro de 2019 em 11:54 - Responder

    Em suma: a mesma esculhambação de sempre.

  4. Armando PETRELLI Coelho 22 de fevereiro de 2019 em 12:59 - Responder

    Acho importante salientar a total conivência com a Associação dos moradores da ilha…..e o descaso do Iap?gostaria de saber se a promotora de Paranaguá foi até o local para fazer uma vistoria…..pobre litoral do Paraná……

  5. Felipe Andrews 22 de fevereiro de 2019 em 13:31 - Responder

    Galera, essa notícia é furada. Primeiro que a associação dos moradores nao tem verba para a reforma, todos devem imaginar como funciona uma associação sem fins lucrativos, essa parceria veio para profissionalizar eventos na Ilha do Mel e também conseguir verba para fazer várias reformas importantes que precisamos dentro da Ilha do Mel, o salão comunitário será reformado antes do carnaval. E o local tem todas as licenças e até projeto do local.

    Muitos nao conhecem o dia a dia da Ilha do Mel, precisam vivênciar pra entender como funciona.

    O salão comunitário é uns dos únicos locais na Ilha para eventos que tem todos os documentos necessários, abandonei falo unico incluo que no máximo deva existe uns 3-5 locais que podem fazer eventos na Ilha.

    Antes de um jornal como esse soltar tais asneiras, porque não entrou em contato com a ANIMPO para averiguar os fatos? Ou apenas tem amiguinhos RICOS que passar informações sem fundamentos.

    Vale lembrar que a ilha do mel é 2 polo turísticos e como um jornal como esse informa que a comunidade nao quer eventos na Ilha? Que piada é essa?

    Ou será que alguns riquinhos com diplomas de Drs vao tentar barrar festas tradicionais que existem a desde a povoação de nova brasilia só porque compraram terreninhos ao lado do local?

    Lembrando que esses riquinhos vão precisar da nossa comunidade, eles vao ter que fazer comprar dentro da ilha, vao ter que atravessar com taxi Náutico, vao precisar de nos de qualquer forma, então prestem atenção antes de querem barrar um evento da comunidade, o feitiço pode virar pro feiticeiro qndo vcs quiserem entrar com materiais para dentro da ilha pra construção da casa de vcs ou até mesmo a reforma.

    Nos somos nativos e vcs forasteiros entao respeite nossa comunidade.

  6. Carlãooeeee 22 de fevereiro de 2019 em 16:01 - Responder

    Tempos bons era aquele q a Nova Brasília, “Saco do Limoeiro”, como se referia o “Perigoso” era um belo pomar de araçás, uma praça da abelhas, Dona Nicinha, seu Domingos, Nilo, Paulo pescador, os piás pequenos, Luciano, Wando, Oza e o estimado pai e avô de todos, Diamantino…A vida girava pela rede de pesca, os pequenos barcos, alguns bares e as famosas geladeiras com botijão de gás. A gente estava por lá, aquele campo de futebol era um templo sagrado, vinha feriado, vinha carnaval, saudades do Mariscão, até de manhã…A Marinha mandava…E a gente ali, guris!!! Quantos amigos, uns se foram, né Zeco? Aquela gaitinha de boca…Aquela fome de madrugada, de manhã peixe frito com pão e cerveja morna…Rosane, Dirceu, Ana, Jamil, Carlão, Idy, Guga, Paulo, Negão, Ernani, Nilva, Edu, João, Neco, Ney…A Ilha era o melhor da solidão, só nossa…Quantos vezes nus, ali…Aí vem essa coisa, “1/2 ambiente”, três letrinhas e esculhamba com tudo. Cria regras, diz preservar, mas permite mansões, discursos, nativos “vendem” terrenos, compram as promessas…E de repente ficam só, a especulação e o interesse ganancioso dos oportunistas segregou, criaram lendas desconectadas da realidade caiçara e agora querem o silêncio para os seus “hospedes”…Liberem o carnaval, a alegria não pertencem aos donos de pousadas, mas aos nativos, ao Bomba, Odair, X e o seu pôr do sol no Belo, ao Wanderley e o seu triangulo, pertence ao arrastar de pés descalços marcando junto com a zabumba…” As andorinhas voltaram e eu também volteiiii, voltei ao velho ninhooo…” O mundo não pertence aos chatos, ele é dos loucos e dos idealistas.

  7. Rosália Maria sa 22 de fevereiro de 2019 em 18:02 - Responder

    Que pena está acontecendo essa situação, conheci Ilha do mel, agora em janeiro, fiquei encantada com sua beleza, desejo que se entendam e tudo acabe bem, pois pretendo voltar.

  8. Andreas 24 de fevereiro de 2019 em 00:21 - Responder

    Para reformar meu telhado que estava com goteiras foi uma dificuldade o IAP demoroi meses pra liberar material, um amigo reformou o banheiro e pagou uma fortuna de multa, como conseguiram alvará ANTES de reforma.
    Felipe, que triste essas ameaças e intimidações. Grave as suas ameaças.
    Qual a diferença desse evento e do evento da Aninha? Aqueles que o MP barrou?
    Quais são as regras? Quais aa exigências para a reforma da casa dos moradores e da festa de “gringos” que estão “comprando” a Animpo?

  9. Thiago 24 de fevereiro de 2019 em 00:33 - Responder

    Felipe, pena que você também não reconhece o quanto os “invasores” que tem casa na Ilha ajudam a comunidade.
    Sempre que precisam e moradores pedem ajuda, para festas da igreja, feata da tainha, bingo, patrocínio de surfisfas, posto de saúde, falar com políticos nós ajudamos. Essas ameaças que você fez sujam o nome da ANIMPO. Afinal, 90% daa pousadas é de “invasores”
    Cuidado com as palavras ofensivas e até preconceituosa

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