Bolsonaro determinou ‘amplo debate’ com comunidade médica, diz novo ministro da Saúde

O novo ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga, afirmou nessa segunda-feira (15), em entrevista à GloboNews, que o presidente da República Jair Bolsonaro determinou um “amplo debate com a comunidade médica” para lidar melhor com a pandemia da Covid-19.
O presidente confirmou que o atual comandante da pasta, Eduardo Pazuello, deixará o cargo e, para o substituir, foi convidado o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Marcelo Queiroga. O médico aceitou o convite e será o quarto ministro da Saúde da gestão Bolsonaro.
“O presidente determinou que se fizesse um amplo debate com a comunidade médica para que a gente harmonize mais as relações e tenhamos um resultado melhor diante da pandemia”, declarou Queiroga.
A orientação difere do que vem sendo feito pelo chefe do Executivo e pelo até então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Desde o início da pandemia, o presidente contraria as recomendações de especialistas e de autoridades sanitárias.

O Brasil registrou, nas últimas 24 horas, 1.275 mortes pela doença, com novo recorde na média móvel nos últimos sete dias: 1.855. No total, o país contabiliza 279.602 óbitos desde o início da pandemia. Dados são do boletim do conrsórcio de veículos de imprensa divulgado ontem (15).

Lockdown –  Marcelo Queiroga descartou a possibilidade de utilizar um lockdown como política de governo em meio à pandemia de coronavírus. Quarto ministro da pasta no governo Bolsonaro, o cardiologista afirmou que a medida é “extrema” e que, embora não haja um tratamento contra a Covid-19, os “médicos têm autonomia para prescrever”. “Esse termo de lockdown decorre de situações extremas. São situações extremas em que se aplica. Não pode ser política de governo fazer lockdown. Tem outros aspectos da economia para serem olhados”, avaliou o novo ministro.

Queiroga avaliou ainda que, “quanto mais eficiente forem as políticas sanitárias, mais rápido vai haver uma retomada da economia”. A fala se distancia do posicionamento anterior adotado pelo próprio médico. Ao jornal Folha de S. Paulo, no último domingo (14), o cardiologista afirmou que a cloroquina não seria parte de sua estratégia de enfrentamento da pandemia –como foi com Pazuello–, caso fosse ministro. A droga faz parte do que o governo Bolsonaro diz constituir tratamento precoce contra a Covid –algo que, segundo cientistas, não existe.

“A própria Sociedade Brasileira de Cardiologia não recomendou o uso dela nos pacientes, e nem eu sou favorável porque não há consenso na comunidade científica”, disse Queiroga na ocasião, citando a recomendação do órgão contra o uso da cloroquina, a hidroxicloroquina e azitromicina para tratamento do coronavírus. Os medicamentos são defendidos até hoje por Bolsonaro mesmo sem ter efeito contra a Covid-19. Depois da repercussão da nota, a entidade recuou e divulgou nova nota, em parceria com o Ministério da Saúde, em que abria a possibilidade de pacientes receberem cloroquina e hidroxicloroquina após assinarem termo de consentimento.

 

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