Pelo menos nove filhos de políticos tradicionais estreiam nas eleições de outubro como candidatos a deputados estaduais e/ou federais em vários estados. No Paraná, sobressai o nome de Marcello, sobrenome Richa. Em outros estados, os sobrenomes dos filhos são Crivela, Cunha, Collor de Mello, Campos e outros menos conhecidos – mas tão ilustres quanto seus pais Beto, Eduardo Cunha, Eduardo Campos, Fernando Collor, Marcelo Crivela.
São citados apenas os estreantes, porque a tradição vem de longe. No caso Richa, nasceu com José, que continuou com Carlos Alberto e agora promete prosseguir com Marcello, jovem de 31 anos que já mostrou competência para ser secretário municipal de Esporte e Lazer e presidente do PSDB Jovem.
Pela segunda vez, concorrerá também Maria Victória Barros, filha da governadora Cida e do deputado Ricardo. Foi eleita aos 22 anos em 2014; deve permanecer na cadeira dos 26 aos 30. O pai, Ricardo, por sua vez, é filho de Silvio, ex-prefeito de Maringá e combativo deputado estadual pelo velho MDB de guerra.
Maurício é outro predestinado a dar sequência à saga política da família Requião de Mello e Silva. Já foi eleito uma vez, tornou-se “muso” das professoras desde o embate do 29 de abril de 2015 e, com a providencial ajuda do pai, senador e tri-governador Roberto, se apresenta em condições de ser reeleito.
O “fenômeno” é estudado pelo Núcleo de Estudos Paranaenses da Universidade Federal do Paraná, coordenado pelo cientista político Ricardo Oliveira, autor do livro “Na Teia do Nepotismo”. Segundo ele, o poder das famílias paranaenses não surgiu agora; remonta ao período colonial.
“Todas as instituições políticas no Paraná são pesadamente atravessadas por interesses familiares, de grupos que estão no poder alguns desde a gênese colonial, no século 18.”
Oliveira afirma que aqueles que não pertencem a essas famílias se casam com um integrante e, assim, entram e se perpetuam na política do Estado, nos três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), assim como também no empresariado, no Tribunal de Contas, nos cartórios, na mídia.
“O senso comum é de que o nepotismo é um fenômeno nordestino, arcaico, do passado. Mas não: é um fenômeno presente também nos lugares considerados mais modernos do Brasil”, diz o estudioso.

Será mais um inútil na assembleia, um a mais a menos não faz diferença.
O quadro está negro betinho, o quadro está negro!