Com as vagas do primeiro e segundo escalões já quase todas preenchidas, o governo Ratinho Jr (PSD) vê surgir um novo foco de disputa entre os seus: as indicações para ocupar cadeiras em conselhos e comitês das empresas estatais.

São posições que asseguram aos gulosos do Centro Cívico ganhos de até R$ 11 mil mensais por uma reunião a cada 30 dias, a exemplo do que ocorre nos concorridos conselhos da Sanepar e Copel.

Além das joias da coroa, há disputas silenciosas por cadeiras em outras estatais. Celepar, Cohapar, Appa, Tecpar e Fomento são as mais procuradas apesar de pagarem valores mais módicos, de R$ 3 mil a R$ 6 mil por mês.

Também há desentendimentos por posições em órgãos relacionados às análises de recursos de multas de trânsito. O Cetran (Conselho Estadual de Trânsito) e as Jaris (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) remuneram de R$ 5 mil a R$ 8 mil por mês.

Quase sempre os conselhos e comitês são utilizados pelos governantes para garantir uma verba adicional aos mais próximos. Secretários de estado, diretores de empresas e assessores somam os salários dos cargos em comissão à ajudinha extra.

Um dos casos mais emblemáticos envolve o ex-poderoso do governo Richa, Deonilson Roldo. O chefe de gabinete de Richa ocupava nada mais, nada menos, que oito posições em diversos órgãos do Estado. Estima-se que na época em que foi exonerado, por causa dos áudios em que tratava de uma suporta propina para direcionar uma licitação para o grupo Odebrecht, os ganhos mensais ultrapassavam R$ 80 mil.

Também o todo-poderoso secretário da Fazenda de Richa, Mauro Ricardo, era conselheiro de numerosas estatais, o que lhe garantia uma renda mensal de R$ 100 mil.