(por Ruth Bolognese) – O primeiro volume das memórias de Zé Dirceu deve sair em agosto, pela Editora Saraiva. Os tempos na prisão devem ter dado tempo para colocar no papel uma trajetória, sob qualquer ponto de vista, contra ou a favor, extraordinária.
Do movimento estudantil, onde era um líder carismático, além de lindo, passando pela prisão, a troca de prisioneiros, os tempos em Cuba, a cirurgia plástica e os tempos em Cruzeiro do Oeste, é um roteiro de cinema, que ainda não acabou.
Numa entrevista antes de ser preso, Zé Dirceu contou que achava mesmo que era dono de uma vida extraordinária. Mas ao conhecer outras histórias de dentro da cadeia, concluiu que há milhares de vidas assim por aí.
De qualquer forma, as memórias de Zé Dirceu devem se transformar em best seller, sem dúvida nenhuma.

Não adianta , tem gente que vive de idolatrar criminosos condenados que lesaram o país não só em seu tesouro mas também na esperanca
Diz a lenda que José (intimidade nenhuma) Dirceu, quando procurava cidade pequena para se instalar no Paraná, passou por – e quase ficou, em Santa Isabel do Ivai. Não o fez porque naqueles dias, os “homi” haviam prendido o advogado e professor, o finado Enéas Pereira Rodrigues. Por nada, apenas por ser líder do MDB local, ficou quase um ano no QG ali na praça Rui Barbosa, onde é hoje rua da Cidadania. Precavido, preferiu Cruzeiro do Oeste. Cuja sigla automobilística à época, era FW.
Aliás, em Santa Isabel do Ivai, donde vim, funcionava ativamente o dedodurismo do Sistema. Bastava ser emedebista para ocupar página nos registros da DOPS, do SNI. Dizia-se que lá funcionava uma célula do Grupo dos Onze, que, na realidade, era meia dúzia, eu, no meio. Sabe, eu era presidente do grêmio do ginásio e editava um jornal no mimeógrafo, O Mutirão, meia dúzia de páginas, vinte exemplares, e vez ou outra fazia uma referência à Ditadura, uma gozaçãozinha, nem de longe perto das do Pasquim. O dedo-duro da Arena tinha receio que O Mutirão derrubasse a milicagem.