Vereadoras discutem acusação de xenofobia; CMC recebeu 5 representações

Na primeira sessão após a acusação de xenofobia ocorrida na última quarta-feira (5), o episódio voltou a ser debatido no plenário da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) nesta segunda-feira (10). Durante o pequeno expediente, Vanda de Assis (PT) relatou as providências que adotou depois do confronto e agradeceu manifestações de solidariedade, enquanto Delegada Tathiana Guzella (PL) negou ter feito uma manifestação xenofóbica e afirmou que a interrupção da sua fala prejudicou o contexto daquele debate.

O caso ocorreu durante a discussão do projeto que cria um cadastro municipal de pessoas em situação de rua. Após Vanda de Assis informar que nasceu em Campos Sales, no Ceará, Delegada Tathiana questionou por que a parlamentar não voltava para o estado de origem. A declaração levou Vanda a acusá-la de xenofobia. Desde então, cinco representações foram protocoladas na Câmara relacionadas ao episódio: quatro contra Tathiana e uma contra Vanda, conforme nota divulgada pela instituição.

Investigação

Primeira a abordar o assunto no Pequeno Expediente, Vanda de Assis informou ter apresentado pedido de investigação criminal ao Ministério Público Federal (MPF) e protocolado representação na própria Câmara por suposta prática de xenofobia e quebra de decoro. A vereadora também afirmou que um grupo de parlamentares apresentou outra representação na Casa e que o Ministério Público do Paraná (MP-PR) tomou providências relacionadas ao episódio.

Na sequência, a parlamentar concentrou a manifestação nos apoios recebidos desde a sessão anterior. Agradeceu aos integrantes do bloco de oposição, às pessoas que se manifestaram em Curitiba e no Paraná e às manifestações vindas de outras regiões do país, em especial do Nordeste. “Quero agradecer toda a solidariedade recebida nesta última semana”, disse. Para a parlamentar, a repercussão demonstrou rejeição a manifestações discriminatórias: “Nós não aceitamos, não aceitaremos nenhuma prática de xenofobia contra qualquer pessoa que seja”.

Descontextualização 

Em seguida, Delegada Tathiana negou que sua manifestação tenha sido xenofóbica. A vereadora retomou o contexto da discussão do cadastro de pessoas em situação de rua e afirmou que havia solicitado o aparte para apresentar dados comparativos entre Paraná e Ceará. Segundo ela, a retirada do aparte ocorreu antes que pudesse completar sua argumentação. “Aquele dia minha fala foi interrompida”, afirmou. “Quando eu comecei a explanação, me foi cortado o aparte, o que me deixou muito brava. Por quê? Porque eu não tinha terminado meu pensamento, e isso poderia gerar dúvidas”.

Delegada Tathiana disse que pretendia questionar políticas públicas adotadas no Ceará e comparar indicadores sobre população em situação de rua nos dois estados. Ela também citou homenagens que promoveu à comunidade nordestina como argumento para rejeitar a acusação. “Jamais, em tempo algum, a minha intenção foi criticar o povo nordestino”, declarou. Segundo a vereadora, sua fala anterior tinha como alvo a gestão pública no Ceará, e não a origem de Vanda ou a população nordestina.

Nota da CMC

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) informa que foram protocoladas cinco representações junto à Casa em decorrência da Sessão Plenária desta quarta-feira (5), quando foi discutido, em primeiro turno, o Projeto de Lei Ordinária nº 005.00191.2025, que cria o Cadastro Único para Pessoas em Situação de Rua e estabelece diretrizes para a coleta de dados pessoais e socioeconômicos de indivíduos em situação de vulnerabilidade social. Quatro representações são em face da vereadora Delegada Tathiana Guzella e uma em face da vereadora Vanda de Assis.

Nos termos do Regimento Interno da Câmara Municipal de Curitiba, as representações serão submetidas à análise de admissibilidade pela Mesa Diretora, etapa destinada exclusivamente à verificação do cumprimento dos requisitos formais para seu processamento, sem qualquer apreciação do mérito. A Mesa Diretora se reunirá nesta quarta-feira (12) para deliberar sobre essa fase inicial.

Caso estejam atendidos os requisitos procedimentais, as representações serão encaminhadas à Corregedoria, órgão competente para conduzir a instrução dos procedimentos e adotar as providências cabíveis. Em razão de as representações envolverem a corregedora da Casa, vereadora Delegada Tathiana Guzella, eventual instrução dos processos ficará sob a responsabilidade do primeiro-vice-corregedor, vereador Olímpio Araujo Junior (PL), conforme prevê o Regimento Interno.

A Câmara Municipal de Curitiba reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às normas regimentais, assegurando que todos os procedimentos serão conduzidos com isenção. (Foto: Rodrigo Fonseca/CMC).

 

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