O Contraponto reproduziu sábado nota da coluna do jornalista Geraldo Mazza na Folha de Londrina. Ele falava com ironia dos “ouvidos sensíveis” dos vereadores curitibanos, que volta e meia apresentam projetos visando a diminuir ruídos causados por fogos de artifício, apitos de trem etc. Suas excelências mostraram preocupação com os cães, por exemplo, que se amedrontam e ficam nervosos cada vez que há algum foguetório na cidade.
Um dos projetos é do vereador Bruno Pessuti, que pretende diminuir o barulho das buzinas infernais das buzinas de trens que atravessam bairros populosos de Curitiba, dia e noite. Ele, no entanto, reclama de um erro na nota e explica:
Seu projeto não limita o barulho em 15 dB e sim em 15db acima da pressão sonora máxima permitida nos horários noturnos. Perceberam que há uma diferença de entre uma letrinha maiúscula e outra minúscula? Mas este é ponto: “15dB é um som extremamente baixo, imperceptível quase, pois segundo tabelas de pressão sonora 20 dB, na superfície da Terra, é considerado o limite do silêncio. Não se baixa mais que isso.
Ou seja, é impossível um trem apitar com essa pressão sonora, mas é possível apitar a 60dB (em uma distância de 20 m) de madrugada usando algum outro tipo de apito, como uma buzina automotiva.
Do texto do projeto de Pessuti, consta: “De acordo com as medições realizadas, pode-se concluir que, de fato, os níveis de ruído emitidos pela passagem do trem estão muito acima dos limites estabelecidos. A extrapolação ocorreu em todos o pontos avaliados, chegando o nível de ruído a atingir o valor máximo de 112,4 dB(A) durante a medição no ponto 10, excedendo em 47,4 o limite estabelecido pela Lei Municipal no 10.625 e em 62,4 dB(A) o limite recomendado pela norma NBR 10.152; e como valor mínimo, 65,4 dB(A) do Leq no ponto 9, que neste caso, excedeu em 0,4 o limite estabelecido pela Lei Municipal no 10.625 e em 20,4 dB(A) o limite recomendado pela norma NBR 10.152. “

Caro Celso, a diferença não é apenas uma letra, e sim o limite de som permitido.
A intenção do vereador é limitar em 15dB acima do permitido por lei municipal, ou seja, a lei permite 47,4dB e com o limite de acréscimo de volume, o trem apitaria no máximo até 62,4dB, o que equivale a uma buzina automotiva.
Hoje o volume dos apitos das locomotivas chega a 112dB, sabe ao que isso equivale? A ter uma escola de samba dentro da sua casa. Agora imagine que você queira ter uma noite tranquila de sono, ou que tenha bebê em casa, ou ainda que você esteja internado em alguns dos hospitais que estão ao longo dos trilhos. Acho que seria incômodo ou você acha que é apenas uma preocupação irrelevante? Você sabia que o som neste volume prejudica e pode causar convulsões em pessoas autistas? Pois bem, ao que me parece, a crítica é feita sem sequer estudo do real problema e suas consequências para os moradores da cidade. Existem muitas pessoas afetadas pela circulação noturna dos trens. E nada mais justo do que prezar pelo conforto e segurança de todos diminuindo o limite dos apitos, incrementando a sinalização com cancelas e luminosos. Pergunte para quem mora ao lado das ferrovias como é a experiência de ter barulhos extremamente altos ao longo da noite. Acho que para eles isso não é nenhum pouco irrelevante não acha?
Não há crítica. Quem pediu a troca da letra foi o próprio autor do projeto, pois saiu errado aqui e em outros jornais.