A condução de Ricardo Gomyde ao comando da DC (Democracia Cristã) no Paraná marca uma inflexão estratégica da legenda no estado e reposiciona um nome experiente no jogo majoritário. Ex-deputado federal pelo PCdoB, Gomyde substitui Joni Correia e passa a centralizar a articulação estadual de um partido que decidiu abandonar a condição periférica para tentar protagonismo nacional e regional.
A troca no comando não é meramente administrativa. Ela ocorre no contexto da pré-candidatura presidencial de Aldo Rebelo, lançada pela DC em ato político realizado no sábado (31), em São Paulo. Ao assumir o diretório paranaense, Gomyde oferece aquilo que campanhas nacionais mais carecem fora do eixo Rio-São Paulo: palanque estadual, capilaridade e discurso organizado.
No Paraná, o gesto tem peso político. O estado é governado por Ratinho Júnior (PSD) e segue como peça-chave no xadrez presidencial de 2026. Garantir presença competitiva aqui significa não falar sozinho para plateias vazias. Significa entrar no debate, disputar narrativa e, sobretudo, ocupar espaço.
A trajetória de Gomyde ajuda a explicar a aposta. Foram mais de duas décadas no PCdoB, passagem por PSB, PDT e MDB e uma candidatura ao governo do Paraná em 2022, quando terminou em terceiro lugar. Não se trata de um neófito em busca de holofotes, mas de um operador acostumado a campanhas duras, estrutura partidária e bastidores de poder.
A filiação à Democracia Cristã, que ele próprio define com ironia e pragmatismo, não apaga o passado à esquerda nem reescreve a biografia. Pelo contrário. Gomyde tenta transformar essa travessia ideológica em ativo político, apresentando-se como alguém capaz de dialogar com campos distintos em um ambiente de polarização crônica. (Blog do Esmael)
