Procurador Diogo Castor se afasta da Lava JatoO procurador da República Diogo Castor de Mattos solicitou seu desligamento dos trabalhos da força-tarefa Lava Jato em Curitiba. Em nota divulgada na noite de sexta-feira (5), a força-tarefa “agradece a Diogo Castor pelos cinco anos em que se dedicou, com excepcional esforço, às investigações da Lava Jato.”

Nos últimos dois meses, a força-tarefa Lava Jato em Curitiba já recebeu os reforços da procuradora da República Juliana de Azevedo Santa Rosa Câmara, titular de ofício especializado no Combate à Corrupção na Procuradoria da República no Município em Volta Redonda (RJ), e do procurador da República Alexandre Jabur, integrante do Núcleo de Combate à Corrupção na Procuradoria da República no Amazonas (AM).

Em março passado, Diogo Castor tornou-se pivô de uma crise de relacionamento entre a Lava Jato e o Supremo Tribunal Federal (STF). Em artigo publicado no site O Antagonista, ele afirmou que a Segunda Turma do STF, da qual faz parte o ministro Gilmar Mendes, ensaiava “um golpe” contra as investigações. A discussão nasceu em razão do julgamento que definiu a Justiça Eleitoral como foro para conduzir processos da Lava Jato sobre crimes ligados à prática de caixa dois.

Gilmar se enfureceu com o artigo e generalizou adjetivos para todos os procuradores que atuam na Lava Jato. Chamou-os de reles, imbecis, cretinos… Ao mesmo tempo, engrossando as críticas de Gilmar, o presidente do STF, Dias Toffoli, determinava a abertura de inquérito para apurar a autoria de ataques à Corte e aplicar as sanções cabíveis.

Na Lava Jato desde a criação da força-tarefa, o procurador Diogo Castor atuou em investigações de grande repercussão, como as Operações Piloto e Integração I e II, focadas nas relações entre agentes públicos do Paraná e concessionárias de pedágio. Em duas operações, o MPF pediu e o juiz da 23.ª Vara Criminal Federal, Paulo Sergio Ribeiro, decretou duas prisões do ex-governador Beto Richa – uma em setembro de 2018 e outra em janeiro passado.