A cada dia uma agonia: desde segunda-feira (11) o deputado Plauto Miró Guimarães (DEM) vem surpreendendo os colegas na Assembleia Legislativa com posturas que contrastam com o seu passado de quase um quarto de século como parlamentar estadual representante dos Campos Gerais. Se até há pouco tempo parecia uma figura apagada, que raramente usava a tribuna para discursar e se mantinha nos últimos oito anos aparentemente sereno na condução da primeira-secretaria da mesa diretora, Plauto agora assume posições desafiadoras – não só em relação ao governo Ratinho Jr. mas também em relação aos próprios colegas.

Na sessão desta terça (12), Plauto fez discurso para lembrar o plenário que é um homem que sabe demais. Como primeiro-secretário, responsável pela administração e pelas finanças da Casa, diz ter recebido muitos “pedidos” de deputados, e conhece cada um dos mais “gulosos” – aqueles que pediam muito. Com exceção da referência nominal que fez ao atual chefe da Casa Civil, deputado Guto Silva, não identificou todos os “gulosos”.

Mas fez uma advertência: como desde criança é muito organizado, fez cópias de todos os documentos que passaram por suas mãos e as guarda em prateleiras e pendrives fora do recinto da Assembleia. Diz ter também na memória todas as conversas. Textualmente, avisou: “Tenho fora da Assembleia todas as informações destes oito anos, até mesmo por precaução. A gente sabe que dentro do poder público muitas vezes os papéis somem, desaparecem. Muitas vezes quando você precisa se defender, nem sempre de acusações de irregularidades, mas uma série de questões que possam acontecer, você precisa ter documentos que na administração ela pode ter sumido”.

Tradução: Plauto está disposto a usar as informações que acumulou para reagir contra os que se arriscarem a insinuar que ele tenha cometido irregularidades, como aquelas que envolveram seu nome como beneficiário de propinas oriundas do esquema revelado pela Operação Quadro Negro.

Agora, fora de posições de comando na Assembleia, Plauto diz estar livre para cumprir a função de deputado – isto é, de fiscalizar o poder Executivo, denunciar irregularidades e vigiar para que o dinheiro público seja empregado com honestidade.

Para ilustrar o discurso com a sua nova – e surpreendente – conduta parlamentar, Plauto apresentou dois novos requerimentos dirigidos ao chefe da Casa Civil, Guto Silva. Num deles, requer informações sobre quantos são e quem são os ex-governadores e/ou viúvas de ex-governadores que recebem aposentadoria de R$ 30 mil mensais.

No outro, revela sua estupefação com a informação que lhe chegou de que os diretores da Copel e de suas subsidiárias ganham R$ 80 mil por mês. E contam não apenas com o 13.º, mas com 16 salários por ano. Plauto quer saber quanto “a empresa de todos nós” paga aos seus diretores.

Ouça as partes mais quentes do seu discurso: