Rejeitado por 82% dos brasileiros. Investigado pela Polícia Federal. E silente quanto ao combate à corrupção. Este é o presidente da República, Michel Temer (MDB). Um levantamento feito pela ONG Transparência Internacional e publicado no jornal espanhol El País analisou que, nestes dois anos e um mês de mandato, Temer só usou o termo corrupção em apenas dois dos 349 discursos e declarações à imprensa que proferiu no Brasil e em encontros internacionais.
Uma vez foi na Cúpula das Américas, em abril deste ano em Lima, no Peru. O tema do evento era Governança democrática e a luta contra corrupção. Ou seja, era impossível fugir do assunto. Disse Temer naquele encontro: “Não se pode tolerar a corrupção. A corrupção corrói tecidos sociais, compromete a gestão pública e privada, tira recursos valiosos da educação, da saúde, da segurança. O combate à corrupção, portanto, é imperativo da democracia (…)”. A outra ocasião foi quando deu posse, em junho de 2016, a Torquato Jardim no ministério da Transparência, Fiscalização e Controle.
Em declarações à imprensa, o termo corrupção não faz referência ao combate a esse tipo de crime. Só aparece quando algum jornalista lhe faz uma pergunta ou quando ele usou os meios oficiais para descredenciar as acusações que o delator Joesley Batista, empresário e um dos ex-controladores da JBS, fazia contra ele. Disse o presidente: “O governo não atendeu a seus pedidos [de Batista]. Não se sustenta, portanto, a acusação pífia de corrupção passiva”. O levantamento foi feito nos sites do Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores onde são divulgados os pronunciamentos oficiais do chefe do Poder Executivo.
E por que o presidente quase não se manifesta sobre o assunto em um país onde uma das principais preocupações dos cidadãos (eleitores) é exatamente o combate à corrupção? “É quase impossível que o tema seja tratado de uma maneira propositiva, direta, aprofundada, por um Governo, ele próprio, com tantas acusações de corrupção. Então, a melhor tática de comunicação é evitar ao máximo o tema”, opina o diretor-executivo da Transparência Internacional, Bruno Brandão
