Os eleitores querem renovação. Os partidos, não

(por Ruth Bolognese) – Um dos inúmeros institutos de pesquisas que agora se dedicam a descobrir tudo o que pensam os brasileiros, o Instituto Locomotiva, de São Paulo, está concluindo um estudo sobre o perfil ideal dos candidatos em outubro, segundo a visão dos eleitores. Até agora 81% querem renovação, ou seja, gente nova no pedaço.

Teoricamente, daria pra dizer que teremos 80% de novos nomes nos parlamentos brasileiros e nos cargos executivos. Necas. A renovação se dá por duas vias, a que o eleitor quer votar e a que os partidos políticos oferecem, e neste caso, é tudo requentado.

O exemplo do Paraná reforça a tese: dos candidatos ao governo, Osmar Dias, Ratinho Jr e Cida Borghetti estão na lida há mais de 20 anos. Cida e Ratinho disputam o governo pela primeira vez, é fato, mas já se elegeram como deputados estadual e federal. Osmar Dias já foi senador e candidato ao governo duas vezes.

No Senado, de novo mesmo só o professor Oriovisto Guimarães, fundador do grupo Positivo, que testará as urnas pela primeira vez. Os demais interessados, de Roberto Requião a Gustavo Fruet, passando por Alex Canziani, Flavio Arns e pastor Takayama, todos eles nomes em repeteco nas candidaturas.

A renovação, tanto para o governo como Senado, não chegaria a 1% e olha lá. Na Assembléia Legislativa não será diferente: filhos, netos, sobrinhos ou mulheres de políticos conhecidos se revelam no sobrenome. O “novo” é mais velho do que andar pra frente.

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