Envolvem mais de R$ 400 milhões os negócios imobiliários que teriam jorrado propinas para um ex-prefeito de Campo Largo e agentes públicos identificados pela Operação Rota 66, desencadeada na manhã desta terça-feira pelo Gaeco, quando foram cumpridos com autorização judicial buscas e apreensão em escritórios e residências de 17 alvos – dentre eles o ex-deputado estadual e ex-sub-chefe da Casa Civil Alexandre Guimarães, filho do ex-prefeito.
As revelações foram feitas durante entrevista do promotor Anastácio Fernandes Neto, que coordenou a operação. Segundo ele, a construtora Lix Engenharia pagava propina para obter alvarás para construção de imóveis do programa Minha Casa Minha Vida em áreas de preservação ambiental. Atos autorizando as construções – que chegam a cerca de 3.500 unidades – foram assinados pelo ex-prefeito Afonso Portugal Guimarães nos meses finais de sua administração (2013/2016), sem aprovação da Câmara Municipal, mas provavelmente com a anuência do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
As investigações do Gaeco foram iniciadas após denúncias da atual gestão municipal e levaram ao nome do ex-deputado Alexandre Guimarães que, segundo o promotor, teria atuado no sentido de facilitar a expedição dos alvarás irregulares durante o mandato do pai. A casa do ex-parlamentar foi objeto de um dos mandados de busca e apreensão, de onde foram recolhidos documentos.
Quatro pessoas foram presas por posse ilegal de armas e munições, assim como documentos, computadores, celulares e outros objetos de mídia.
Ouça a entrevista do promotor:
