O Vampiro de Curitiba e o Vampiro de Brasília

(por Ruth Bolognese) – Como se não bastassem todos os motivos do mundo para ser rechaçado no Paraná – de fazer o Rodriguinho carregar aquela mala tão pesada de dinheiro e nomear Ricardo Barros para cuidar dos bancos de sangue de todo o País – Michel Temer ameaça agora um dos nossos maiores patrimônios culturais: aquele que guardamos nos sótãos das casas que ainda têm sótãos e em nossas almas penadas, o Vampiro de Curitiba.

Como se sabe, Michel Temer já era conhecido como Vampiro no meio político antes de sugar a presidência de Dilma Rousseff. Algo a ver com uma vaga semelhança com o Conde Drácula, a fissura por pescoços virginais de moças paulistanas ou ainda os voos cegos pelas Docas do Porto de Santos, à procura de comissões sanguinárias, quer dizer, de comida.

Uma escola de samba carioca chamada Tuiuti (olha a coincidência com nossa conhecida Universidade) transformou o codinome de Temer restrito aos meios políticos em apelido nacional e agora temos o Vampiro de Curitiba e o Vampiro de Brasília.

Em Curitiba, recluso como sempre, Dalton Trevisan chega aos 93 anos em 14 de junho próximo. E ao longo desses quase 100 anos manteve intacta a imagem do Vampiro que deu o nome ao livro de contos lançado em 1965 e imortalizou o apelido. Aqui no Alto da XV, a casa de esquina em que mora, num amplo terreno que vale ouro do ponto de vista imobiliário, reflete a característica do dono. O cinza está mais do que desbotado e as amplas janelas fazem questão de mostrar que foram fechadas há, no mínimo, 50 anos.

Mas não há o que temer (no sentido do verbo), curitibanos. O Vampiro de Curitiba é autêntico, por quase eterno. Seu talento vai perdurar até que a língua portuguesa seja extinta pelos sinais trocados nas redes sociais. O de Brasília é fake, perecível (no sentido político) e deve deixar a vida pública em primeiro de janeiro de 2019.

E sempre se pode cercar Brasília com réstias de alho.

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