O ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo (foto), foi acusado no ano passado pela Polícia Federal de cometer desvios na instituição. Foi levado preso temporariamente para um cela da PF em Florianópolis e impedido de, após cumprida a detenção, sequer voltar à instituição.

Envergonhado por ver seu nome exposto desta forma e pela humilhação que sofreu, poucos dias depois Cancillier tomou uma decisão triste e definitiva: suicidou-se saltando do sétimo andar no interior de um shopping de Florianópolis.

A repercussão nacional e internacional do caso não impediu, porém, que a PF continuasse investigando a atuação de Cancillier – quando ele já não podia se defender. Nada ficou provado. Ou, o que se provou, provou-se também que o reitor já vinha tomando providências para sanar as irregularidades cometidas por outras pessoas que trabalhavam na instituição.

Fatos assim se repetem, inclusive no Paraná. Algumas pessoas, sabidamente inocentes e convictas quanto à própria honestidade, muitas vezes não resistem. Entram em processo profundo de depressão – típico das pessoas honestas – que, vendo sua honra enxovalhada injustamente, preferem dar cabo à própria vida.

É muito trágico. O que deveria obrigar as autoridades de investigação a retomar seus cuidados quando da citação e providências tão drásticas quanto uma prisão de pessoas que supõem – apenas supõem – estarem envolvidas em alguma irregularidade.