O abuso e a tragédia das investigações

O ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo (foto), foi acusado no ano passado pela Polícia Federal de cometer desvios na instituição. Foi levado preso temporariamente para um cela da PF em Florianópolis e impedido de, após cumprida a detenção, sequer voltar à instituição.

Envergonhado por ver seu nome exposto desta forma e pela humilhação que sofreu, poucos dias depois Cancillier tomou uma decisão triste e definitiva: suicidou-se saltando do sétimo andar no interior de um shopping de Florianópolis.

A repercussão nacional e internacional do caso não impediu, porém, que a PF continuasse investigando a atuação de Cancillier – quando ele já não podia se defender. Nada ficou provado. Ou, o que se provou, provou-se também que o reitor já vinha tomando providências para sanar as irregularidades cometidas por outras pessoas que trabalhavam na instituição.

Fatos assim se repetem, inclusive no Paraná. Algumas pessoas, sabidamente inocentes e convictas quanto à própria honestidade, muitas vezes não resistem. Entram em processo profundo de depressão – típico das pessoas honestas – que, vendo sua honra enxovalhada injustamente, preferem dar cabo à própria vida.

É muito trágico. O que deveria obrigar as autoridades de investigação a retomar seus cuidados quando da citação e providências tão drásticas quanto uma prisão de pessoas que supõem – apenas supõem – estarem envolvidas em alguma irregularidade.

14 COMENTÁRIOS

  1. Esse comportamento do poder judiciário me assusta mais que um Bolsonaro e ou um Haddad. O espetáculo que o Ministério Público vem proporcionado aos vorazes da mídia coloca em risco qualquer direito constitucional. O empoderamento dos vaidoso juízes, promotores e procuradores nos colocou em situação vulnerável tanto quanto o nosso direito de ir e vir. Num passado não muito distante, vimos casos de pessoas de bem que foram execradas pelo judiciário e pela mídia. O caso da escola Base, em São Paulo é só um exemplo mais conhecido. Mas teve também o caso da médica do Hospital Evangélico… cito também, o caso do padre do Balão, que pela notoriedade e transmissão ao vivo da RPC, empurrou o pobre padre para a morte… espetáculos e espetáculos em cima da vida de pessoas, enfim, entre tantos outros casos. Acredito que o momento é de muita reflexão minha gente. A coisa toda esta completamente sem controle, até mesmo a competência de algumas instituições estão sendo questionável, quando na verdade, elas deveriam garantir os direitos e a isonomia.

  2. Pessoal, sei que muito causa revolta neste blog algumas afirmações ou formas de expressão. Mas parem e voltem à “questão de fundo” que vocês mesmos reconheceram: este assunto tem grande interesse e o Contraponto o colocou aqui! Óbvio que para alguém aprender com possíveis erros não é necessário sermões e brigas. Basta informar e mostrar o problema, pois não podemos educar os outros (e nem devemos tentar). Se todos ficarem reclamando deste veículo de comunicação, por qual motivo acham que insistirão publicando assuntos como este?
    Reconheço que algumas notas não me agradam, mas peço insistentemente que o Contraponto traga mais notas em relação a esse tema. As instituições perderam o ruma da Ética, da Moral e das Responsabilidades. E falo das instituições públicas, as quais não têm escolhas que não seja cumprir a Lei e a Constituição nos seus estritos limites e valores. Parabéns pela iniciativa e por favor, acompanhem estes casos até o fim, pois a legislação tem mudado e os advogados vão ter muito trabalho ao final destes escândalos e abusos.
    “Nós não existimos apenas porque essas instituições funcionam!! As instituições que só funcionam porque nós existimos!! Elas não nos fazem favor nenhum e não podem nos mandar Calar a Boca quando as questionamos!!”
    A esperança de dias melhores só florescerá se todos exercerem o maior dos maiores direitos democráticos que o cidadão conquistou e petrificou neste país: o voto livre, secreto, universal e consciente!

  3. Vê-se claramente o ato a imprensa participa diretamente no prejuízo moral de cada pessoa. Um exemplo simples são as fotos que o próprio blog aqui usa qdo vai tratar de um assunto sério que envolve honra e uma vida toda familiar para praticar a exposição ao ridículo e lamentavelmente ocasionar danos eternos. Reparem nas fotos que a maioria usa para “expor” algum assunto. Infelizmente, imparcialidade está em falta. Ou bajulam ou atacam e se forem pesquisar a fundo, sempre existe uma “razão” por trás. Certa vez, sem entender a razão da Ruth por exemplo atacar tanto o governador Ratinho com sarcasmo, fui pesquisar no google o nome dela e de cara, li: “demitida da ….”. Enfim, espero que Judiciário e imprensa, reavaliem alguns conceitos e que façam seus papéis como devem ser feitos. À imprensa, deixo meu recado: uma vida vale mais que mil acessos diários pq o dia do juízo final, chega para todos!

    • Concordo plenamente. Mas faço apenas a observação que a mídia ainda tem a liberdade de informar (lógico que com responsabilidade). Mas ela não é coercitiva como no caso das autoridades. A mídia publica da forma que entender melhor, respondendo se causar algum dano, mas não te obrigando à entrar em uma viatura ou em um cadeia. Mas o poder público detentor de Poder Coercitivo, esse sim causa sérios danos com algum erro ou equívoco. Os agentes públicos, em especial do MP, tem a plena garantia da impunidade penal e civil-política. O CNMP e as Corregedorias apenas fiscalizam as regras disciplinares. Mas quem instaura uma investigação contra uma promotora que abusa das prerrogativas, por exemplo? Só vemos alguns membros do MP estadual serem responsabilizados quando envolve o MPF na condução das ações. O desconforto em investigar ou processar um colega é latente! Um iniciativa popular tem que começar a ser criada para mudarmos um pouco. O MP defende a sociedade! É um Órgão que promove a justiça a qualquer custo, e não um órgão acusador! A futura presidência da republica já mencionou exatamente esta situação. Só dependerá dos votos neste domingo. Assim teremos uma pequena esperança, ainda que embrionária, que a certeza da punição fará com que aquelas exceções que abusam das prerrogativas venham a ter cuidado com as consequências que uma ideologia pessoal pode causar na vida de uma família.

  4. O mesmo digo no caso da cobertura feita amplamente pela imprensa em relação ao caso da advogada de Guarapuava. O trabalho feito pela Policia, MP e Assistente de acusação (que pensa ser advogado de defesa da vitima) foi tão incisivo que ninguém teve coragem de questionar os motivos que levaram a promotora a descartar definitivamente a possibilidade de suicídio ou acidente. Prenderam o rapaz motivadamente. Mas esses motivos ainda perduram? Pq no caso do Cezar Silvestri a mídia não mostrou as imagens da garagem e do elevador do prédio?? Quem o visitou. Se ele tinha algum seguro de vida ou sofria pressões politicas? Se respondia algum Inquérito Civil no MP, ou se poderia ser delator ou testemunha de algo. Ou se alguma mulher o estrangulou e o jogou do 21 andar?!? Estou apenas dando um exemplo e mostrando a diferença de tratamento em casos com dois seres humanos DA MESMA ESPÉCIE vitimados. Muito forçada a imposição no caso Manvailer. Amanhã se um parente resolve se suicidar, ou vc vai preso se for homem, ou será “suicidio”. A Mídia acabou com a vida do rapaz antes mesmo de concluirem as investigações. Não aceitam opinião contrária ou vão insistir no erro. Ta muito estranha esta imposição de “cala boca”. Espero que os danos sejam reparados.
    Acho que esse abuso ten que acabar. Exatamente por isso que o silêncio dos inocentes vai mudar o rumo do país domingo.
    Brasil sem ideologias!! MP promovendo a justiça para todos!! Não apenas acusando, mas garantindo a reparação dos danos sofridos pelos inocentes.

  5. Olha, dessa vez sem fazer correções sequer na gramática devo concordar em gênero, número e grau. Só quem passou por uma situação assim e teve vontade de fazer ‘m…’ consegue entender. De fato, como foi dito pela Marisa e pela Sensata, a imprensa faz bem seu papel de dar ‘tiros de misericórdia’. Quando você sequer sabe de um decreto de prisão, que nem seu advogado tem acesso, e a imprensa divulga amplamente que você é ‘foragido’. Não oferece a mínima condição do ‘contraponto’. É uma covardia. Não bastasse isso, no caso do reitor, a universidade foi calada sob ameaça quando quis demonstrar solidariedade e questionar os métodos. E à medida que as verdades vão aparecendo no processo, e as mentiras caindo, não são devidamente esclarecidas, pois não interessa…

  6. Só quem passou por um “linchamento moral” feito pela MP e pela imprensa sabe o que é isso. Espero que vocês mesmos “Contraponto” tenham a decência de antes de enxovalhar a vida de uma pessoa publicando de forma irônica e jocosa palavras que vão afetar a vida profissional e moral dessa pessoa pensem muito bem. Eu Já vi vocês fazerem isso por aqui. Muito Triste mesmo. Só espero pela justiça divina.

  7. A mulher de César não só deve ser seria, como precisa parecer q é – rouba se na universidade – na política a exceção é a decência
    O estado não pode trabalhar a exceção – trabalha a regra – rouba na universidade / na política partidária a decência é exceção

  8. Uma parte da imprensa tb tem responsabilidade por isso. Inclusive vcs, que na maioria das vezes, usam de sarcasmo e ironia para noticiarem investigações, suposições, delatados etc. Uma coisa é informar, outra coisa é informar e esculachar. Espero que esse momento de sensatez, perdure nesse blog.

    • Verdade! A imprensa se aproveita da situação para vender e/ou gerar fluxo no site… E agora se faz de inocente! Por que divulgam sem avaliar melhor? Por que não ouvem os dois lados… Querem dar o furo! E a culpa é da tv e dos blogs porque jornal impresso ninguém lê mais!!!

  9. Gostaria de deixar registrado aqui que este cuidado deve ser tomado não só pelas autoridades que investigam, mas principalmente por vcs da imprensa!
    Quem divulga fatos em que não existem provas, apenas indícios, e que incriminam e julgam antecipadamente, são vcs, membros da imprensa, deixando aqui bem claro que não todos os meios de comunicação, que na ânsia de fazer manchetes e criar escândalos que vendam notícias, usam suas canetas para sentenciar muitos inocentes, sem provas, a morte, senão a física, pelo menos a moral! Todos nós devemos fazer uma Mea culpa. Nós que consumimos as notícias e vcs que as escrevem!

  10. Tardiamente o blog faz menção a um dos casos típico de “abuso de autoridade”!! Desde 2004, o método vem sendo “aperfeiçoado”! Aqueles que ousam levantar a voz contra o descalabro são execrados publicamente! Das centenas de “operações”, quantas realmente foram bem sucedidas? E quantas serviram apenas para jogar na lama reputações, famílias e inocentes? Nenhum jornalista sério tratou desta questão até hoje. Pelo contrário, jogam tudo na vala comum e salve-se quem puder!! Se por um lado, as delações configuram um avanço no processo penal, por outro, o seu mau uso, está criando um estado de exceção típico de republiquetas de bananas!!!!

  11. Perfeita nota Contraponto! É o quê está engasgado na garganta de muito cidadão honesto. Esperamos que em todos os casos de tragédias recentes as autoridades tenham a humildade de admitir qualquer equívoco e de corrigir qualquer erro. Ou ao menos nos informem como seria o jeito correto de proceder nestas situações, eis que suas convicções se baseiam na questão: “Agiu Mal. Deveria agir assim, objetivamente: XXX.”.
    Não podemos mais ficar à deriva e à sorte de uma aplicação desigual da lei, à pretexto da imediata resposta social à manifestações legítimas, porém desarrazoadas.

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