A eleição estava ganha. É o que se dizia, em 1959, sobre a candidatura a governador do Estado do senador Abilon de Souza Naves (PTB), um mineiro de Uberaba que fez história no Paraná nas décadas de 1940 e 1950. Contador de formação e funcionário do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários (Iapc), veio para Curitiba em meados da década de 40 do século passado para ser delegado regional do instituto.

Aqui ficou e gostou. Aproximou-se de Moysés Lupion e de João Goulart, trabalhou com Bento Munhoz da Rocha Neto e seguiu uma firme e forte carreira política. Ocupou vários cargos federais e no Estado. Um dos grandes momentos de sua vida política ocorreu em 1958, quando foi eleito senador pelo PTB com uma votação estrondosa. Teve mais que o dobro dos votos dos adversários, que eram um candidato do PSD e outro da UDN. Seu suplente era Nelson Maculan.

Souza Naves era considerado o futuro governador do Paraná, nas eleições de 1960. Todavia, menos de um ano antes da eleição, ele morreu em consequência de um infarto fulminante após um discurso realizado na Sociedade Morgenau, em Curitiba. Era um sábado, 12 de dezembro de 1959, dia em que estava sendo homenageado por um grupo de amigos e correligionários. Tinha 54 anos de idade.

O infarto fulminante  mudou a história política do Paraná. O governador eleito em 1960 acabou sendo o deputado federal Ney Braga, ex-prefeito de Curitiba. O PTB concorreu com o suplente de Souza Naves, Nelson Maculan.

Antes de ser eleito senador, Souza Naves ocupou diversos cargos: presidente da Caixa Econômica Federal, presidente do Instituto de Previdência do Estado (Ipase), secretário do Trabalho  (governo de Bento Munhoz da Rocha Neto) e diretor da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil (governo do presidente Juscelino Kubitschek). Ele também trabalhou nos jornais Diário Popular, como gerente, e  Gazeta do Povo, na área comercial. Em 1948, assumiu a presidência do diretório estadual do PTB, função que exerceu perto de dez anos.