Ministro do STJ acusado de importunação sexual pede afastamento por 90 dias

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, acusado de importunação sexual, negou as acusações, apresentou licença médica para tratamento psiquiátrico e solicitou afastamento do cargo por 90 dias, em meio ao avanço das apurações conduzidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A posição do magistrado foi comunicada em carta enviada aos colegas da Corte nesta terça-feira.

No texto, o ministro afirma estar “muito impactado” com as notícias divulgadas e informa que se encontra internado em um hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional. Segundo ele, até o momento optou por permanecer em silêncio, mas decidiu se manifestar diante da repercussão do caso.

O magistrado relata ter tomado conhecimento “de modo informal” das acusações que lhe são imputadas e diz repudiá-las. Afirma ainda que a situação tem causado sofrimento à sua família e às pessoas de seu convívio. “Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência”, escreveu.

Na carta, o ministro sustenta que provará sua inocência nos procedimentos já instaurados. Ele destaca sua trajetória pessoal e profissional, mencionando ter quase 70 anos de idade, carreira ilibada na magistratura e casamento de 45 anos, do qual nasceram três filhas. Segundo o texto, a referência à vida pessoal não é apresentada como prova de inocência, mas como um “elemento relevante de coerência biográfica”, que, segundo ele, exige cautela redobrada na análise das acusações.

“Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura”, afirma o ministro, que também lamenta o desgaste imposto ao STJ. Ele descreve estar submetido a “dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar”, escreveu.

O pedido de afastamento ocorre em meio às investigações do CNJ, que já instaurou mais de uma reclamação disciplinar para apurar denúncias de importunação sexual contra o ministro.

A primeira denúncia contra o ministro, por suposto caso de importunação sexual, foi apresentada por uma jovem de 18 anos que relatou ter sido vítima de Buzzi durante as férias que passava com a família na casa do ministro em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Na semana passada, a vítima foi ouvida pela Corregedoria e confirmou o episódio. Na segunda-feira, outra denúncia foi registrada no CNJ. (O Globo)

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