Jairzinho paz e amor começa a fazer concessões

Estar em campanha é uma coisa. Ser governo é outra. Apresentado como “independente” e sem compromissos com ninguém, com nenhum partido ou grupos políticos e econômicos, o capitão Jair Bolsonaro já está se transformando em “Jairzinho paz e amor” antes mesmo de subir a rampa. Mas quando mais próximo dela, maior a amnésia quanto à promessa de formar uma equipe de primeiro escalão técnica, livre de indicações políticas e interferência partidária.

Nesta quarta-feira (24) Bolsonaro fez acenos ao DEM – o velho e conhecido PFL onde perfilam hoje os herdeiros do Antonio Carlos Magalhães, a raposa política lembrado como ACM ou, para os mais íntimos, como Toninho Malvadeza.

Bolsonaro já dá indicações de que poderá compor o primeiro escalão com outros nomes do DEM além do deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), já apresentado como virtual titular da Casa Civil. Em encontro com 32 representantes da Frente Parlamentar da Segurança Pública, Bolsonaro informou que terá na linha de frente pelo menos dois deputados do DEM que não se reelegeram: Alberto Fraga (DF), atual líder da “bancada da bala” no Congresso, e Pauderney Avelino (AM).

Enquanto isso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também Democrata, tenta seduzir o virtual futuro presidente eleito prometendo ajudar na liberalização do Estatuto do Desarmamento, além de aproximar a turma do Centrão que apoiou Alckmin no primeiro turno. Não totalmente de graça, claro: Maia quer, em troca de sua boa vontade, apoio para continuar presidente da Câmara.

Resumo da ópera: Bolsonaro e os políticos tradicionais vão manter o costume de fazer governos de “coalizão” em nome da velha “governabilidade” que marcou as gestões de FHC, Lula e Temer.

Como diria Tomasi Lampedusa em seu clássico O Leopardo: “Algo deve mudar para que tudo continue como está”.

Pra completar: alguém já reparou que Bolsonaro abandonou o gesto manual de imitar armas e tiros?

5 COMENTÁRIOS

  1. A mídia tenta mostrar os dentes, mas está banguela! O eleitor não é mais refém dos velhos jornalões e blogs engajados. Chorem, rezem, façam promessas… porque agora o leitor é eleitor de verdade!

  2. Começa a cair o castelinho de ilusões dos eleitores desse senhor. Nem começou o governo e já está se entregando às velhas práticas. Os eleitores brasileiros se superaram: colocaram no 2º turno os piores candidatos para tirar o país do atoleiro, tendo pelo menos 3 outros menos piores do que Haddad e Bolsonaro. Esse é o preço de votar com o fígado ao invés do cérebro.

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