Logo após assumir em setembro a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli teria pedido ao presidente do Senado, Eunício Oliveira, que pusesse em pauta para votação o projeto (parado desde 2016) que concedia o reajuste de 16% sobre os subsídios do Judiciário, que de R$ 33 mil passam, agora a R$ 39 mil.

Eunício, em fim de mandato e não reeleito, assim como 46 outros senadores derrotados nas urnas, muitos deles com pendências na Justiça, votaram e aprovaram – e criaram um “efeito cascata” que vai custar aos contribuintes cerca de R$ 5 bilhões por ano, já que a remuneração-teto se estende para todas as esferas, isto é, para estados e municípios.

Toffoli teria se comprometido com Eunício que, em contrapartida, iria batalhar pela extinção do auxílio-moradia atualmente pago a todos os membros do Judiciário em todo o país. Fazendo as contas, o impacto do aumento aprovado pelo Senado seria bem menor.

A dúvida é: Toffoli vai cumprir a sua parte no acordo ou vai se render ao corporativismo que não aceita perder o benefício? Em tempo: a extinção do auxílio-moradia depende de julgamento de ações que estão no STF há mais de quatro anos.