Ex-diretor do Inpe diz que governo tem relações muito próximas com madeireiros

Uma semana após ter sido exonerado do comando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) devido a atritos com o presidente Jair Bolsonaro, o ex-diretor Ricardo Galvão afirmou que o governo de Bolsonaro ajudou a causar um “enorme aumento” no desmatamento na floresta amazônica em apenas sete meses de administração. Em entrevista  ao jornal britânico The Guardian, Galvão acusa o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, de travar uma batalha de meses contra o Inpe, com o objetivo de desacreditar os dados do órgão relacionados ao desmatamento.

“Não há dúvidas sobre isso. Eles têm relações muito mais próximas com os madeireiros (do que governos anteriores). O presidente disse explicitamente que quer fazer acordos com empresas americanas para explorar minerais em reservas indígenas”, disse Galvão. “É um plano negativo com a intenção de reduzir o controle sobre a região, porque eles acreditam que explorando a Amazônia conseguirão um desenvolvimento econômico muito mais rápido na região, o que é completamente errado”, acrescentou. O cientista também disse esperar que a comunidade internacional ajude os brasileiros que estão lutando contra essa situação, e ajude o governo a entender que “o desmatamento só prejudicará o Brasil — e o próprio governo”.

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