(por Ruth Bolognese) – Depois da derrota, aquele post “emocionado” do Neymar Jr – “difícil encontrar forças pra voltar a jogar futebol” – foi certamente a frase mais falsa da Copa da Rússia. Para o time francês dele, que paga um salário mínimo a cada 4 minutos ou R$12 milhões por mês, não tem essa de encontrar forças e mostrar tristeza. Tem que ir lá, fazer gol e pronto.
O menino mais mimado da Copa do Mundo é teleguiado pelo marketing e, criticado mundo afora, tem de fazer tudo pra recuperar a boa imagem, inclusive chorar em campo depois de uma vitória. Os grandes anunciantes e, mais ainda, os próximos anunciantes, investem em craques aparentemente perfeitos, e é preciso corresponder a essa expectativa. Cabotinismo total.
Mas é a nossa condescendência, aquele limbo inexplicável que se instalou entre a casa grande e a senzala, onde a bondade do dono era aclamada em troca de um favor qualquer, insignificante, para o escravo, que justifica tudo. Na derrota, é preciso justificar os próprios erros com os erros dos outros. E até acreditar no choro do Neymarzinho.
A realidade é dura: o país tem um ex-presidente preso, um presidente que todo mundo quer ver pelas costas, 4 ou 5 candidatos a presidente que não empolgam, uma economia com quase 13 milhões sem emprego (mais que um Paraná inteiro desempregado, gente), infra estrutura atrasada em meio século, educação sem futuro, um futebol ruim e o Galvão Bueno.
Vai encarar?
