A desembargadora federal Gisele Lemke, que está atuando como juíza do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TER-PR), se declarou suspeita para julgar processos relacionados à candidatura do senador Sérgio Moro (PL-PR) ao governo do Estado. A informação é do colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles.
A suspeição, segundo o jornalista, foi oficializada na última quinta-feira (13). Esta é a segunda vez que a magistrada, nomeada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022 para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) se declarou suspeita para analisar casos relacionados ao ex-juiz da Lava Jato.
Em 2023, por exemplo, lembra o jornalista, a desembargadora federal se declarou suspeita para julgar, no TRF-4, processos de improbidade administrativa derivados da Lava Jato. A decisão ocorreu depois que outros dois integrantes da 12ª Turma do TRF-4, os desembargadores João Pedro Gebran Neto e Luiz Antonio Bonat, também haviam reconhecido a própria suspeição.
Inicialmente, Lemke chegou a despachar e levar a julgamento processos da Lava Jato. Ao reexaminar sua situação, porém, afirmou que a proximidade com grande parte dos magistrados que haviam atuado na operação comprometia a necessária imparcialidade para julgar os casos.
Dallagnol
A desembargadora já julgou, neste ano, algumas ações do Partido Novo relacionadas à candidatura do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo), que é candidato a senador pelo Paraná.
Em abril, ela julgou procedentes ao menos 10 ações movidas pelo partido contra publicações que afirmavam que o ex-procurador da Lava Jato estava inelegível para as eleições de 2026.
As decisões, contudo, foram posteriormente contestadas no STF. Em maio, o ministro Flávio Dino suspendeu uma das decisões de Lemke, derrubando medidas que haviam determinado a retirada de reportagens e publicações sobre a eventual inelegibilidade de Dallagnol.
