De cada um dos dez anexos que compõem a proposta de delação de Maurício Fanini, o pivô da Operação Quadro Negro, constam vários “caminhos” para que investigadores possam comprovar ou desmentir o que ele disse perante a Procuradoria Geral da República (PGR). A peça se encontra agora na primeira instância estadual e a apuração dos fatos saiu da mãos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) para o âmbito do Ministério Público Estadual (Gaeco) e da 9.ª Vara Criminal de Curitiba.
As principais linhas de investigação devem privilegiar as relações entre a família Richa e o amigo Jorge Teodócio Atherino que, segundo Fanini, teria sido encarregado pelo ex-governador para pagar-lhe mesada de R$ 12 mil visando a manter seu silêncio. O delator cita ocasiões e lugares onde o dinheiro foi entregue e onde há câmeras por todo lado para registrar presenças e gestos – como é o caso do Country Club, citado várias vezes por Fanini como local dos encontros.
É citado também como pagador de mesada um diretor de empresa que opera terminais no Porto de Paranaguá, num edifício do centro de Curitiba também vigiado por câmeras. Há datas e horários de comparecimento de Fanini para buscar valores anotados nos anexos da delação de Fanini.
Os dois casos caracterizam um caso típico de tentativa de obstrução da justiça.
Outra linha de investigação da qual o Gaeco deverá se ocupar envolve outra vez o mesmo empresário Jorge Atherino, em cujo apartamento existiria (ou existiu) um armário falso dentro do box do banheiro para a guarda de dinheiro. O empresário é apontado por Fanini como sócio e/ou intermediário de lucrativos negócios imobiliários com empresa da família Richa (a BFMAR, iniciais do casal e filhos) e cita os exemplos de dois imóveis situados à beira da BR-277, no caminho para Paranaguá.
