Ex-secretário da Segurança Pública do Paraná, o procurador de Justiça Cid Vasques ficou indignado com a cena que testemunhou na tarde de terça-feira (8) no estacionamento do Tribunal de Contas. Ele viu um carro oficial de luxo com motor ligado há bastante tempo e, dentro do veículo, alguém ao volante absorto na tarefa de manusear um celular sob o frescor do ar condicionado.

Bateu à janela do carro e perguntou ao motorista a que órgão pertencia o carro Ford de placas BBV-3864, que estava sendo submetido ao desgaste de superaquecimento e à queima de combustível – tudo pago com dinheiro do contribuinte. Soube, então, que estava a serviço de um coronel da Polícia Militar e que ele, motorista, aguardava pelo retorno do chefe de uma reunião no TCE.

Como quem não precisasse dar mais satisfações a ninguém, o motorista desceu do carro, ofereceu-se para apresentar sua identificação de policial e fez questão de mostrar que estava armado, um “carteiraço” digno dos novos tempos.

O procurador Cid Vasques fez, então, o que todo cidadão tem direito: protocolou uma notícia de fato e endereçou-a ao comandante-geral da Polícia Militar, coronel Péricles de Matos, informando-o que havia encaminhado o caso para exame da Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público do Paraná do Ministério Público Estadual.

Não é a primeira vez que viaturas policiais são submetidas a mau uso e a desvio de finalidade. Em 2012 ocorreram casos que ganharam vulto de escândalo: policiais usavam carros oficiais (alguns descaracterizados) para passeios à praia, compras em supermercados e até para divertidas visitas a casas de prostituição. Evidentemente, o caso relatado por Cid Vasques não chega a tal gravidade, mas também não é admissível.

Via canais internos do MP, o Contraponto teve acesso ao documento, que você pode ler aqui: