De novo, um caso de mau uso de viatura da PM

Ex-secretário da Segurança Pública do Paraná, o procurador de Justiça Cid Vasques ficou indignado com a cena que testemunhou na tarde de terça-feira (8) no estacionamento do Tribunal de Contas. Ele viu um carro oficial de luxo com motor ligado há bastante tempo e, dentro do veículo, alguém ao volante absorto na tarefa de manusear um celular sob o frescor do ar condicionado.

Bateu à janela do carro e perguntou ao motorista a que órgão pertencia o carro Ford de placas BBV-3864, que estava sendo submetido ao desgaste de superaquecimento e à queima de combustível – tudo pago com dinheiro do contribuinte. Soube, então, que estava a serviço de um coronel da Polícia Militar e que ele, motorista, aguardava pelo retorno do chefe de uma reunião no TCE.

Como quem não precisasse dar mais satisfações a ninguém, o motorista desceu do carro, ofereceu-se para apresentar sua identificação de policial e fez questão de mostrar que estava armado, um “carteiraço” digno dos novos tempos.

O procurador Cid Vasques fez, então, o que todo cidadão tem direito: protocolou uma notícia de fato e endereçou-a ao comandante-geral da Polícia Militar, coronel Péricles de Matos, informando-o que havia encaminhado o caso para exame da Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público do Paraná do Ministério Público Estadual.

Não é a primeira vez que viaturas policiais são submetidas a mau uso e a desvio de finalidade. Em 2012 ocorreram casos que ganharam vulto de escândalo: policiais usavam carros oficiais (alguns descaracterizados) para passeios à praia, compras em supermercados e até para divertidas visitas a casas de prostituição. Evidentemente, o caso relatado por Cid Vasques não chega a tal gravidade, mas também não é admissível.

Via canais internos do MP, o Contraponto teve acesso ao documento, que você pode ler aqui:

2019-01-10T17:35:31+00:00 10 janeiro - 2019 - 17:04|Brasil, Paraná, Política|14 Comentários


14 Comentários

  1. Aldo Vianna 10 de janeiro de 2019 em 17:44 - Responder

    Infelizmente uma reação que não é permitida, longe disso, à todo cidadão. Um contribuinte que tente abordar e quiçá, contestar qualquer agente público, desde um soldado da PMPR até o seu comandante, passando por integrantes da magistratura e MP sabe que, mesmo possuído das maiores razões, sofrerá constrangimento e até represálias. A conclusão fática é de que a Banânia não é séria, ainda.

  2. loise 10 de janeiro de 2019 em 18:06 - Responder

    Para o conforto de todos os paranaenses, fiquem sabendo que os veículos da SESP sempre ficam com os motores ligados, não imposta onde estejam e fazendo sei lá o que. Dizem que é por questão de segurança, pois se houver uma emergência o carro pode eventualmente não pegar, então eles acham melhor deixar o motor ligado. Outros dizem que é para evitar eventuais imagens filmadas de policiais empurrando viaturas por aí. Só que não! Isso é um absurdo, dar partida pela manhã na viatura e só desligar no fim do plantão é coisa de gente que precisa de tratamento mental, pois se a emergência não puder ser atendida e morrer gente porque o motor não pegou, até o defunto vai entender!

  3. Abdula Wako 10 de janeiro de 2019 em 19:29 - Responder

    E as viaturas da PM (nos momentos em que não estão atendendo ocorrências), que andam pela cidade, mudando de faixa e fazendo conversões sem acionar a seta? Pode isso, Arnaldo?

  4. NÉLIO 10 de janeiro de 2019 em 21:03 - Responder

    Se com o Procurador, a “otoridade” carteirou, só pra mostrar a arma. Imagina, nós probres mortais.

  5. Antenada 10 de janeiro de 2019 em 21:18 - Responder

    Mas, contra o auxílio-moradia, esse senhor não é, né?

    • Xhyko 11 de janeiro de 2019 em 10:11 - Responder

      Ele é contra quem usa viatura pública como se fosse moradia, como é o caso desse “miliciano”

  6. Vetusto 10 de janeiro de 2019 em 22:07 - Responder

    Bah! Então o motorista tem que aguardar a chefia dentro do carro e derreter com esse calor absurdo? Por favor! Vai cuidar dos criminosos e dos diversos auxilios que recebem!! Esse MP e uma piada!!!!

  7. Estadista da Silva 10 de janeiro de 2019 em 22:11 - Responder

    É só ficar no pátio do Palácio Iguaçu e checar. Tem motorista q ganha DAS 5 é uma vergonha para o Paraná. DAS é assessoria superior, para motorista? Já tem nomeação este ano. Perguntem para o Guto Silva ele sabe quem é o motorista da casa civil nomeado. É uma vergonha……..

  8. Arildo 10 de janeiro de 2019 em 22:25 - Responder

    Qual o problema do sujeito ficar no carro com o ar ligado. Não entendi a preocupação do procurador. Ele que vá procurar o que fazer.

  9. Aguayo 10 de janeiro de 2019 em 22:38 - Responder

    Pra cima deles Cid.

  10. Alentejo 11 de janeiro de 2019 em 00:26 - Responder

    Quando era Secretário, fazia pior é agora quer que o motorista derreta na viatura.
    Mas usar toda a estrutura de segurança de Estado para fazer quebra de braço com o Leonor Battisti, tá tudo bem?

  11. Rodrigo 11 de janeiro de 2019 em 07:30 - Responder

    Então o policial é obrigado a derreter no calor, somente porque o excelentíssimo representante do Ministério Público quer? Policial anda armado… Então desembarcar da viatura com arma no coldre é carteirar? Promotor, o Estado também lhe paga um altíssimo salário, então, por favor, vá atrás daqueles que “metem a mão no jarro”, e deixe os que estão trabalhando, trabalhar. O tempo que perdeu fazendo este documento, poderia estar denunciando um criminoso.

  12. Lucas Augusto 11 de janeiro de 2019 em 12:12 - Responder

    Acredito que se em algum momento da vida deste Procurador ele tenha andado com o ar condicionado desligado ele já não se lembre mais, mas o policial deveria ter ficado com sol na cabeça enquanto aguardava, vai entender…
    Outro ponto é que se caso ele se identificasse como policial e não provasse sua profissão, seria questionado se realmente era, como provou o questionamento é de que ele “carteirou”, aí fica a pergunta “carteirou” o que? “carteirou” quem?
    Espero que os campeonatos de futebol retornem logo, pois essa falta de notícia está fazendo jornalecos como esse ficarem desesperados procurando algo.

  13. Andar-de-Baixo e Corda-Fraca 18 de janeiro de 2019 em 12:55 - Responder

    Senhor Procurador, sua iniciativa foi exemplar. Disso não temos dúvidas. A função de um membro do MP é essa mesmo, diante de um possível mal uso do patrimônio público (principalmente por, além de procurador, o senhor ser ex-secretário de segurança). Mas a população quer saber se este policial fosse um procurador, seu colega, dentro dos estacionamentos do MP, o senhor mandaria ofício ao órgão competente para apurar a improbidade administrativa, ou ao PGJ para apurar algum crime? E mais. Será que estes dariam andamento para responsabilizarem seus pares?? Se algum procurador, ou servidor da procuradoria, utilizasse, por exemplo, as garagens dos prédios para guardar seus carros particulares, ou até mesmo utilizar os carros do MP durante saídas oficiais, será que a Promotoria do Patrimônio instauraria algum procedimento???
    Essa é a maior falha do nosso ordenamento jurídico. Apenas o MP fiscaliza e cobra, porém não existe outro órgão que possa presidir um inquérito civil e uma ação de improbidade administrativa contra membros do MP. A polícia civil deveria ter a legitimidade para o inquérito civil e postular judicialmente isto. Basta uma lei federal conceder esse favor à sociedade. O CNMP responsabiliza apenas na esfera funcional. Mas nas esferas penal e civil-moralidade é preciso que outros órgãos públicos possam buscar a responsabilização dos membros ou servidores do MP, caso desrespeitem as regras que tanto cobram das outras instituições. Se existe ou existiu algum comportamento improbo ou criminoso, nunca saberemos. Ou apenas seres humanos que não são dos quadros dos MPs são passíveis de erros?? Ainda que 99% dos integrantes sejam corretos, os outros 1% são “intocáveis”?? E os promotores sabem que isso seria muito bem vindo. Dr. Cid, o Senhor é um exemplo. Se todos agissem diante de situações assim, o senhor não seria a exceção. Parabéns.

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