Cecílio do Rego Almeida e o bolso do Paraná

(por Ruth Bolognese) – O paraense Cecílio Rego Almeida sempre encarnou o protótipo do empreiteiro ousado, corajoso e sem limites na luta por grandes obras pelo país. Já falecido, seus herdeiros confirmam uma definição que circulava durante o regime militar sobre a CR Almeida, a empresa que leva o nome do fundador, onde “o departamento jurídico era mais importante do que o departamento de obras”.

A razão é que a CR Almeida, na ânsia de repartir o bolo generoso das obras bilionárias com as grandes do setor, recorria das licitações, paralisava tudo e acabava tendo sucesso.

Aqui no Paraná a CR Almeida persistiu durante 50 anos na cobrança de uma dívida do governo do estado pela construção da Estrada de Ferro Central do Paraná, entre Apucarana e Ponta Grossa, concluída em meados da década de 70. Vai receber uma bolada de quase R$ 3 bilhões em precatórios, com quase R$ 700 milhões já garantidos pela Justiça.

Depois de 50 anos os paranaenses que aí estão já nem se lembram de Cecílio Rego Almeida, nem sabem direito onde fica a Ferrovia Central do Paraná, mas vão arcar com todos os custos de um imbróglio típico de governantes irresponsáveis e um empreiteiro frio e arrojado.

Vai doer no bolso. E como.

2 COMENTÁRIOS

  1. Apurar esse prejuízo aos cofres públicos e a responsabilidade de governantes e gestores só nas sucursais do além … não deveria ser assim, pois o dinheiro vai sair do bolso do contribuinte que em nada contribuiu para isso.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui