O ex-governador Beto Richa dá mais um passo rumo ao ostracismo político: ele deve apresentar nos próximos dias sua renúncia à presidência do diretório estadual e à vice-presidência da executiva nacional do PSDB. A notícia foi recebida com alívio pelo grupo tucano que planeja tomar conta do partido. Publicamente, ninguém se arriscava a passar pelo constrangimento de aconselhar Richa a tomar esta decisão.

O tucanato paranaense passa, pelo menos por enquanto, a ser comandado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano – também objeto de muxoxos entre os mais jovens da legenda, que defendem total renovação dos atuais quadros, o lançamento de uma campanha de filiações e reorganização dos diretórios municipais. Traiano não exibe exatamente o perfil de político que o partido quer.

O gesto de renúncia de Beto Richa, no entanto, soa como insuficiente para recompor a força do PSDB no estado. Ele entra no rol dos antigos cardeais tucanos que foram considerados culpados pelo fracasso nacional do partido em 2018: disputou seis governos mas só venceu em três estados (São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. A bancada de deputados federais se reduziu de 53 para 29 cadeiras. No Paraná, nenhum candidato se elegeu à Câmara.

Junto com Aécio Neves e Marconi Perillo, Beto é corre o risco de expulsão da legenda.