Senhores eleitores: prepararem-se desde já para ouvirem promessas mirabolantes dos candidatos ao governo do estado durante a campanha que se aproxima. A menos que a economia brasileira dê cambalhotas e volte a crescer com vigor nos próximos anos, a situação das finanças públicas continuará apertada.
Economia fraca, como sebe, é sinônimo de arrecadação baixa; e arrecadação baixa é sinônimo de setor público obrigado a gastar apenas com si mesmo, na melhor das hipóteses manter a rotina da máquina funcionando. Investimentos em obras tendem a continuar baixos – talvez só um pouco melhores se pelo menos o nível de confiança melhorar e a iniciativa privada aportar capitais em infra-estrutura.
A visão parece pessimista, mas deve cair como uma luva para o caso do Paraná: quem se eleger para ocupar o lugar de Beto Richa vai receber dele uma “herança maldita”. É provável que as contas estejam em dia, o que já é uma grande vantagem em relação à maioria de todos os demais estados, afundados em dívidas tão banais e desmoralizantes quanto a de não poder sequer honrar o salário dos servidores. Mas isto não é suficiente para garantir o cumprimento de promessas que exijam receitas muito maiores.
No caso paranaense, o próximo governador – se não for bafejado pelo crescimento da economia brasileira – vai se defrontar com receita menor do que poderia esperar, já que o atual governo já recolheu para os cofres públicos impostos que só venceriam de 2018 em diante.
<<O “segredo” da recuperação econômica do Paraná>>
Além disso, do lado das despesas, a atual gestão já cortou o que já seria politicamente (nem tanto) possível, como direitos do funcionalismo, utilização de depósitos judiciais, confisco da previdência etc. Apertar ainda mais será como pedir pela degola da onda de popularidade e esperança que normalmente envolve os novos governantes.
Portanto, tanto os candidatos – sejam eles os governistas Cida Borgheti e Ratinho Jr. ou o oposicionista Osmar Dias – quanto os eleitores devem se conter nas promessas ou na crença de que elas serão cumpridas.
Melhores exemplos são os dois planos de governo do próprio Beto Richa – os apresentados nas campanhas de 2010 e de 2014 – e que ficaram, em grande parte, apenas nos papeis solenemente registrados em cartório.
