As “pérolas” de Beto na entrevista ao Estadão (2)

Seus opositores – como a entidade que representa os professores, a APP – dizem que esse ajuste fiscal lesou direitos dos servidores públicos…

O sindicato não conversa, porque não quer ser convencido.  Continua nos agredindo. Mas eu vou dar um dado importante – que eles não contestam, porque é um número oficial. Em sete anos de governo os professores receberam 146% de reajuste – quase 100% de ganho real. Conhece alguém que ganhou 146% em sete anos? Os professores do Paraná ganharam. Outra: a hora-atividade era 20%. Hoje está em 37%. Foi dado tudo e mais um pouco. O orçamento da Educação hoje é de R$ 10 bilhões. 35% da receita líquida do Estado vai para a Educação.  Não sei se tem outro Estado do Brasil que investe isso. (A Associação dos Professores do Paraná (APP), procurada, não quis se manifestar.)

O conflito de 2015 levou sua popularidade ao fundo do poço…

Eu coloquei em risco a minha popularidade, caí de uma vez, depois de duas eleições vencidas no primeiro turno. Propus ajustes, medidas impopulares justas, mas hoje o Paraná colhe os frutos dessas medidas. Há muitas obras em andamento. O pagamento dos servidores está em dia. Em menos de 30 dias nós pagamos três folhas, cada uma de R$ 1,7 bilhão. Ou seja: injetamos R$ 5,1 bi na economia do Paraná, no momento de ainda alguma recessão nacional, ajudando a indústria e o comércio. Então começa a haver uma recuperação da aprovação do governo.

Como o sr. avalia a situação do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul – onde há graves problemas no pagamento dos servidores?

O grande problema é o comprometimento da folha de pagamentos dos servidores no Rio e no Rio Grande do Sul em relação à receita. Os inativos consomem mais recursos do que os ativos. Está caminhando para uma insolvência. O Estado não foi feito só para pagar salário.

Por que isso não aconteceu no Paraná?

Porque nós conseguimos reduzir os gastos. Todos os anos eu dei aumento para os servidores, com ganho real. Fizemos os ajustes, equilibramos alguns impostos, e com isso aumentamos em 2,5% a receita do Estado. A sociedade fez um esforço, mas o Estado também deu exemplos. Reduzimos cinco secretarias, cortamos mil cargos em comissão. Segundo o IBGE, o Paraná é o Estado que tem o menor número de comissionados em relação ao número de servidores. Cortamos gastos e custeio das secretarias em 15%. Aumentamos a receita em 2,5%, mas diminuímos as despesas em 7,5%.

Por que outros Estados não conseguiram fazer isso?

Porque não equilibraram as contas públicas.  Não pode gastar mais do que arrecada. É a receita da dona de casa, do empresário.

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