Alguém precisa conter o presidente Jair Bolsonaro, tanto no que fala quanto no que decide. Esta semana, por duas ocasiões, disse e fez o que não devia. Mas a sequência é tão grande desde o início do governo, que a expectativa agora já mira para o gênero e a gravidade das trapalhadas que inevitavelmente virão na semana que vem.

Primeiro, mandou barrar o reajuste do óleo diesel e fez o valor de mercado da Petrobras despencar num só dia R$ 32,4 bilhões. Mais do que isto: ao agir à moda intervencionista de Dilma Roussef, jogou por terra o discurso de liberalização da economia (que o ajudou a se eleger) e pôs sob desconfiança a política econômica de seu governo – atitude fatal para a proposta de atração de investimentos.

O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, pego de surpresa com a decisão de Bolsonaro, tenta reverter o estrago. “É possível consertar”, disse ele a jornalistas nos Estados Unidos, não se antes lembrar que o próprio presidente já ter reconhecido antes que não entende de economia.

Quase ao mesmo tempo, Bolsonaro, em reunião com pastores evangélicos, falou sobre os seis milhões de judeus vítimas do Holocausto nazista: “Podemos perdoar, mas não não podemos esquecer” – frase que imediatamente cruzou os mares e provocou protestos do presidente de Israel, Reuvin Rivlin. “Nunca vamos perdoar e nunca vamos esquecer”, contestou Revlin pelo Twitter, com uma advertência: “Os líderes políticos são responsáveis por moldar o futuro. Historiadores descrevem o passado e pesquisam o que aconteceu. Nenhum deve entrar no território do outro.”

No início do mês, Bolsonaro esteve em Israel e, na companhia do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu visitou o Museu do Holocausto, em Jerusalém. O presidente do Museu foi direto: “Não concordamos com a afirmação do presidente brasileiro de que o Holocausto pode ser perdoado”, disse o centro, segundo relatos da mídia israelense.