A dança das cadeiras

Por Cláudio Henrique de Castro – O paranaense, essa alma vestida de pudor e casaco de lã, assiste à dança das cadeiras políticas com a placidez de quem vê a banda passar.

Qual banda?

Os nossos pré-candidatos, tocados por uma súbita e quase mística iluminação ideológica, resolveram trocar de legenda com a pressa de um adúltero que pula a janela ao ouvir o trinco da porta.

É a paixão fulminante pela sobrevivência eleitoral.

Vejam o espetáculo das convenções partidárias do Paraná. Sergio Moro, outrora o paladino inflexível de siglas passadas, descobriu no PL o aconchego ideal para mirar o Palácio Iguaçu.

Que lhes importa o passado?

O pragmatismo moderno não tem memória, tem apenas fundo partidário. Moro abraça a nova bandeira com o fervor de um recém-convertido que acaba de descobrir o Altar.

Enquanto isso, nas coxias governistas, o ensaio é digno de uma tragédia suburbana de amor e conveniência. O deputado Alexandre Curi saltou do PSD de Ratinho Júnior para o Republicanos.

Um divórcio?

Ora, não sejamos provincianos! Foi um afastamento estratégico para viabilizar-se ao governo sem melindrar o antigo padrinho. É o amor platônico traduzido em tempo de televisão e acordos de bastidores. Novos capítulos, estão por vir.

Não fiquemos atrás com o lirismo de Rafael Greca, que retornou garboso ao MDB, aceitando o figurino de vice na chapa de Sandro Alex. São os pinheirais do Paraná?

O paranaense olha para o tabuleiro e pergunta: Mas eles não eram adversários ontem? Santos inocentes!

Na política da nossa terra, o ódio de um dia é o tapete vermelho do dia seguinte.

As ideologias correm para o centro, desidratadas, enquanto as excelências trocam de bancada com a naturalidade de quem muda de camisa após o almoço.

O eleitor, esse vira-lata de Nelson Rodrigues, contempla a virtude flácida desses arranjos e finge acreditar na súbita devoção dos candidatos ao povo.

O Paraná político não quer o voto; quer a cumplicidade do silêncio coletivo.

Ao fim e ao cabo, quando a música parar e as urnas se fecharem, todos os candidatos estarão devidamente sentados — restando ao cidadão, como sempre, o chão frio da realidade.

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