Lerner trouxe o Meta4 para o governo em 2001

(Rafael Moro Martins e José Lázaro Jr., do Livre.jor, especial para o Contraponto)

O contrato de R$ 22,8 milhões do governo do Paraná com a Digidata Consultoria e Processamento de Dados, assinado há um ano, em novembro de 2016 é público: está na internet para quem quiser ver. Só que a relação do poder público com essa empresa, que forneceu e agora presta assistência técnica ao sistema Meta4 — o pomo da discórdia entre o Executivo e as universidades estaduais — começou bem antes.

Foi em 2001 que a secretaria de Estado da Administração e a autarquia Paraná Previdência, então no governo de Jaime Lerner, à época no PFL (atual DEM), adquiriram licenças vitalícias do software de gestão de pessoas e de folha de pagamento. Em poucos anos, estima-se que 95% dos dados funcionais eram processados dentro deste software. Basicamente, ficaram de fora as universidades estaduais.

A Digidata é representante exclusiva desse sistema de recursos humanos no Brasil. Em 2001, ela firmou parceria com a companhia espanhola detentora das licenças do Meta4. De lá para cá, exceto pelos anos em que Roberto Requião (PMDB) ocupou o governo do Paraná, foi ela que tratou do sistema com a administração estadual. Fundada em 1986, a Digidata conta em seu site que ingressou no mercado de informática tendo Celepar, Sanepar, Banestado e ICI como clientes. A prefeitura de Curitiba também aderiu à tecnologia.

Para justificar o contrato atual, ainda que sem citar nomes, a gestão Beto Richa (PSDB) culpa o tempo em que Requião dirigiu o estado pelo custo de atualização do Meta4. Trecho do documento atribui “às mudanças na política estatal de Tecnologia de Informação” o fato de o software ter ficado mais de dez anos sem manutenção. Em 2012, a Digidata foi contratada para “evoluir” o sistema para a versão PeopleNet 7. Agora, explica o governo, quer-se chegar à versão PeopleNet 8.

2017-12-15T09:26:51+00:00 14 dezembro - 2017 - 15:00|Paraná, Política|3 Comentários


3 Comentários

  1. ze 14 de dezembro de 2017 em 15:18 - Responder

    Digidata, Cavo, Cotrans, Consilux…
    Só pra citar algumas empresas em que o poder público é cliente cativo…
    Todos sabem mas ninguém abre a boca.

  2. ze 14 de dezembro de 2017 em 15:25 - Responder

    O Lerner (melhor governador destas terras de ninguém), trouxe vários parceiros… só coisa fina pro estado… (se estamos onde estamos devemos muito ao Lerner e ao betinho tbm)

    Se não temos metro em Curitiba é graças ao lobby do VLP (o obsoleto vermelhão mesmo), ônibus gasta pneu, combustivel, manutenção rotineira, pro empresário é muito mais lucrativo que trem. Asfalto quem banca é o “otário ” do contribuinte mesmo, assim como a isenção de imposto no combustivel das empresas de ônibus. O transporte é publico, assim como a via e o prejuízo/custo de operação, mas o lucros esse fica só pras empresas de ônibus e seus sócios (oficias ou não).

  3. astolfo 14 de dezembro de 2017 em 16:09 - Responder

    Sugiro um aprofundamento nas investigações a respeito do sistema em questão.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Contraponto. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Contraponto se reserva os direitos de não publicar e de eliminar comentários que não respeitem estes critérios.

Deixar Um Comentário

%d blogueiros gostam disto: