A Comissão Processante 1/2026 concluiu, nesta quinta-feira (2), a etapa de oitivas das testemunhas e informantes no Processo Ético-Disciplinar (PED) 2/2026, que apura denúncia contra o vereador Lórens Nogueira (PP). A reunião começou às 8h40 e foi realizada em turno único, durando cerca de três horas e meia, na Câmara Municipal de Curitiba (CMC).
Com o encerramento das oitivas, a próxima etapa será o depoimento de Lórens Nogueira na Comissão Processante, marcado para as 9 horas do dia 15 de julho. O vereador poderá prestar esclarecimentos sobre os fatos investigados, no exercício do contraditório e da ampla defesa, e também terá garantido o direito de permanecer em silêncio, sem prejuízo à defesa. A documentação do PED 2/2026 está disponível no Sistema de Proposições Legislativas.
Nesta quinta-feira, Lórens acompanhou o início dos depoimentos. Ao longo da reunião, foi representado pelo advogado Jefferson Costa Vilela Pereira, que participou da inquirição dos depoentes. Na véspera, a defesa dispensou os depoimentos de Daiane Chefer, Castorina Bonfim, Eliana Oliveira, Fernando Saez, Clara Derosso, Fernanda Bianchi e Lisandra Gabiatti. Das 27 testemunhas inicialmente arroladas para falar à Processante nesses dois dias, 8 foram dispensadas. Nessa quarta (1), 7 foram ouvidas de manhã e 5 no período da tarde. Sete depoentes foram ouvidos nesta quinta
Durante a reunião, foram ouvidos Tatiana Lima, Paulo Azevedo, Laura Bianchi, Thiago Barbosa Furtado, Elisabeth Lourenço, Márcia Rebellato e Lawrence Nogueira. As oitivas seguiram a ordem definida pela Comissão Processante para a conclusão da fase de escuta das testemunhas indicadas pela defesa.
Tatiana Lima, integrante do Instituto Grupo Solidário, depôs na condição de informante, por ser mãe de Lórens Nogueira. Também foi ouvido Lawrence Nogueira, jornalista e pai do parlamentar, igualmente na condição de informante, e não de testemunha. Os pais do vereador são divorciados.
Os demais depoentes foram ouvidos como testemunhas. Paulo Azevedo é ex-integrante do instituto; Laura Bianchi já atuou como voluntária do Instituto Grupo Solidário e frequenta os eventos; Thiago Barbosa Furtado é instrutor de artes marciais no instituto; Elisabeth Lourenço é aluna das atividades; e Márcia Rebellato atua como voluntária.
Assim como nas oitivas de quarta-feira (1º), a reunião desta quinta não foi transmitida ao vivo, para preservar a incomunicabilidade entre os depoentes e evitar que um testemunho influencie outro. Os depoimentos foram gravados, e os registros deverão ser disponibilizados após o encerramento da fase de instrução.
Fase de instrução
A fase de instrução começou depois que a Comissão Processante decidiu, por unanimidade, rejeitar o arquivamento da denúncia e dar continuidade ao processo. O parecer prévio foi apresentado pelo relator Da Costa e acompanhado pelos demais integrantes do colegiado. A etapa de instrução serve para a produção de provas, a oitiva de testemunhas, a análise de documentos e, se for o caso, o depoimento do vereador denunciado.
A Comissão Processante 1/2026 foi criada em 1º de junho, depois que o Plenário da CMC recebeu a denúncia contra Lórens Nogueira por 35 votos favoráveis e 1 contrário, dado pelo próprio vereador denunciado. A denúncia foi apresentada pela bancada do Partido Novo, formada por Guilherme Kilter, Indiara Barbosa, Amália Tortato, Éder Borges e Bruno Secco. Durante a reunião, o presidente da Processante, Serginho do Posto (PSD), registrou que, durante a fase de instrução, nem os autores, nem seus procuradores, acompanharam as oitivas.
Entenda o caso
A representação foi protocolada após a Operação Déjà-Vu, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná. Depois de admitida pela Mesa Diretora, a denúncia foi encaminhada à Corregedoria da Câmara. O corregedor Sidnei Toaldo entendeu haver indícios suficientemente robustos de materialidade e autoria para que o caso fosse remetido diretamente ao Plenário, sem abertura de sindicância preliminar.
Com a aprovação em Plenário, o processo passou à etapa da Comissão Processante. O colegiado é formado por Serginho do Posto, presidente; Da Costa, relator; e Meri Martins, membro. Concluída a instrução, será aberto prazo para razões escritas da defesa. Depois, a comissão emitirá parecer final pela procedência ou improcedência da acusação.
Eventual cassação depende de votação nominal em Plenário e do apoio de dois terços dos membros da Câmara Municipal de Curitiba, conforme o rito previsto no decreto-lei 201/1967.
Nota da defesa
Após a conclusão das oitivas, a defesa emitiu uma nota, que é reproduzida, na íntegra, a seguir: “A defesa do Vereador Lórens Lima Nogueira, no âmbito do Processo Ético-Disciplinar nº 002/2026, em trâmite perante a Comissão Processante 01/2026 da Câmara Municipal de Curitiba, vem a público informar que, nesta data, foram concluídas as oitivas de todas as testemunhas arroladas no processo, marco relevante na marcha processual e etapa decisiva da instrução.
A defesa registra que as testemunhas ouvidas, tanto as arroladas pela representação quanto as indicadas pela própria defesa, contribuíram significativamente para o esclarecimento dos fatos e para a completa instrução do feito. Ao longo de todos os depoimentos, não foi relatado qualquer elemento que desabone a conduta do Representado.
Encerrada a fase de oitivas, remanescem nos autos tão somente ilações e informações distorcidas e desprovidas de verdade, que não encontraram qualquer corroboração ao longo da instrução processual. Nenhuma prova produzida amparou as acusações formuladas contra o Representado.
O caminho natural do processo passa, agora, pelo interrogatório do Representado, já designado para o dia 15 de julho de 2026, ocasião em que o Vereador prestará seus esclarecimentos perante a Comissão Processante.
Diante da comprovada ausência de provas em desfavor do Representado, a defesa acredita, agora com ainda mais convicção, que a Comissão Processante representará pela improcedência da representação, reafirmando o compromisso do Vereador com a verdade, com a transparência e com o pleno exercício de seu mandato.
A defesa aproveita a oportunidade para agradecer e elogiar o trabalho da imprensa, cuja atuação séria, atenta e responsável é essencial ao acompanhamento republicano dos fatos e à garantia do direito à informação. Permanecemos inteiramente à disposição dos veículos de comunicação para os esclarecimentos que se fizerem necessários. Curitiba, 2 de julho de 2026”.
